2ª Temporada,

Pedro Conrade, CEO do Neon. O banqueiro de 26 anos.

abril 12, 2018

Pedro Conrade é o fundador e CEO do Neon, um dos primeiros bancos digitais do país.

Com apenas 26 anos, é também um dos banqueiros mais novos que se teve notícia. Antes disso, fundou startups em uma venture builder em São Paulo e teve uma loja de biquínis em Santos, sua cidade natal. Empreendedor nato, criou o app de cartão pré-pago Control.ly, que virou o Neon posteriormente, que tem a proposta do tão sonhado banco simples.

“Eu não herdei um banco, montei um.” – Pedro Conrade

Apesar da pouca idade, Pedro é um dos CEOs da nova geração com maior execução no país. Brigando contra gigantes, escalando time e se relacionando com reguladores, sem se deixar levar pelo frisson da mídia nas fintechs.

Conduz como ninguém, uma operação com centenas de pessoas, dentro de um novo tipo de banco.

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Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Pedro, de onde surgiu o banco Neon, qual problema você estava querendo resolver?

Na verdade, o Neon começou muito mais simples do que a gente imaginava que estaria agora. Por insatisfações com tarifas e serviços do meu banco, eu comecei a estudar os modelos que existiam lá fora e vi que o mercado de pré-pagos era um caminho para chegar onde a gente queria, assim nasceu a Controly. 

A Controly consistia na ideia de gerar um cartão pré-pago atrelado a uma conta que proporcionava uma experiência de se ter uma conta corrente, mas, não era suficiente. 

Pois com um cartão pré-pago você não conseguia ainda substituir tudo que você teria em uma conta corrente, como por exemplo, investir seu dinheiro, acesso a produto de crédito, receber transferências de um outro CPF.

Mesmo com essas limitações e com um time de oito pessoas, a gente conseguiu ter 10.000 clientes, o que pra nós, foi excepcional. Mas, o que ocorria é que o cliente chegava, gostava do discurso, da proposta, mas, não era suficiente para ele ficar lá dentro e ele saía.

Até a gente diagnosticar isso demorou um pouquinho, mas ao mesmo tempo a gente começou a amadurecer, ganhar mercado e as pessoas começaram a conhecer a Controly até o momento que saímos na capa do Estadão com a manchete “a startup que não vai deixar os bancos dormirem”. Com isso,  muitos bancos começaram a vir até a gente, e vimos que estava na hora de dar o próximo passo.

Fomos conversando com os bancos pequenininhos até sermos encontrados por um banco em Minas Gerais, que é o antigo Potencial, e então fizemos essa junção, onde o antigo Controly e o antigo Potencial formaram o Banco Neon. Assim, agora a gente tinha a base que precisávamos para lançar todos os serviços que queríamos oferecer aos nossos clientes, e nossa missão de longo prazo é substituir por completo a vida financeira de um cliente Neon.

Montar um banco é um grande desafio, mas você já tinha uma experiência empreendedora anterior?

Sim, mas eu não tive um background. Minha primeira empresa foi uma loja de biquíni em Guarujá. Meu pai me ajudou a montar, a gente vinha até São Paulo, comprava as roupas e vendia no Guarujá, parece pequeno mas foi uma super experiência pra mim, porque você está ali frente a frente um cliente, você aprende a vender, a se virar, na loja fiquei dos 16 até os 18, quando saí para fazer faculdade.

Eu estudei na Fundação Getúlio Vargas, administração de empresas e aprendi muito sobre marketing digital, startups, bancos de investimentos, então eu fui pegando muito gosto pela área. Assim, tive minha primeira empresa digital, junto com outro sócio, de compras coletivas, em oito meses fizemos escolhas ruins, deu tudo errado, e a gente quebrou.  

Logo depois eu fui para Babson College em Boston, onde fiz um Summer Course,  tranquei a faculdade e passei oito meses na Alemanha, quando eu voltei ao Brasil fiquei dois anos na Startup House que foi uma enorme experiência, no término desse ciclo foi coincidentemente no mesmo momento que eu tive aquelas insatisfações com branco que deu início a minha trajetória de começar a Controly. Então se já tive algumas empresas já me virei um pouquinho e continuo me  virando aqui no Neon.

Você encara o Neon como um banco que possui todos os serviços financeiros que um cliente precisa? 

Quando você pensa no banco hoje, você tem mais de 90% do mercado do varejo na mão de grandes cinco bancos, eles oferecem mais de 4 mil produtos. A nossa visão é que, o nosso cliente não precise ter mais nenhum tipo de relacionamento com outra instituição financeira. Talvez a gente não consiga fazer o melhor financiamento imobiliário do Brasil, por exemplo, mas pode ser que daqui dez anos nós consigamos. Hoje boa parte dos nossos clientes precisam de serviços básicos, como um cartão de débito, pagamento de boletos, mas daqui um tempo ele pode precisar comprar um apartamento, trocar de carro, e nós desejamos poder oferecer isso a ele no futuro.

Vocês construíram a Neon em três anos, e  estão correndo com  instituições centenárias no mercado, então faz sentido buscar esse amadurecimento do produto.

Se você analisar o setor bancário aqui no Brasil, ele é resultado de diversas aquisições, então o que os cinco grandes bancos são hoje, é o que trinta bancos menores foram ao longo dos últimos anos.

Sem dúvida o que construímos em três anos a gente só conseguiu graças a tecnologia, e nosso desejo é que a empresa fique muito tempo no mercado até ganhar corpo para brigar com esses cara de frente. 

Como você lida com a parte de regulamentação, é um processo muito difícil, burocrático?

É mais complexo do que se imagina, cada dia que passa descubro que é mais complexo ainda, é muito difícil porque se a gente um errinho, e essa coisinha é o seu saldo, da sua conta, se a gente transferir um valor errado, é o seu dinheiro, a sua vida e que pode te prejudicar em diversas coisas, por causa disso existe a  regulação, para evitar que você erre nessas coisas, para que você tenha um nível mínimo de segurança, de processos que garantem que você tem uma plano de contenção para não ter tantos erros.

Eu já fiz diversos cursos, na Febraban por exemplo, e aprendi muito, mas, é legal falar também que todo mundo me vê como um banqueiro de 26 anos, mas a verdade por trás, aqui na empresa é que tem muita gente competente, com muita bagagem de banco, com  background, com conteúdo junto comigo. E é esse mix que  faz a gente ser diferente. Sem sombra de dúvidas, o setor bancário tem muitas coisas diferentes de outros setores e coisas que você só aprende lá, então a combinação desses dois mundos é o caminho para o sucesso.

Há grandes discussões sobre a regulamentação, prejudicar a inovação. Mas pensando no setor bancário, você acredita que a regulamentação ajuda uma empresa como a Neon? 

Acho que nem ajuda me atrapalha, são regras que estão aí e que você tem que seguir. O problema é quando há uma regulamentação que não deixa você operar, aí nesse caso precisa ser melhorado.

Mas, pensando na regulação como critérios que todo mundo tem que levar em consideração, trabalhar e cumprir, eu acho que ele tem várias coisas importantes, pois se trata do dinheiro das pessoas, e não pode haver riscos.

Como é que você lida em ter a cultura Startup de economia de custos, e por outro lado mesmo e ter esse capital necessário para crescer?

Eu nunca fui o maior fã desse mundo colorido chinelo e bermuda que algumas pessoas fantasiam que são as startups, pelo contrário as startups, é uma empresa assim como outra qualquer, com algumas características de crescimento acelerado, com uma cultura muito forte, com algum propósito a mais, mas no final é uma empresa, desde o começo nosso escritório não é um parque de diversões, é um escritório confortável, um local de trabalho.  

A gente acaba precisando de mais dinheiro do que as empresas normais, está sempre na pauta, gastar mais ou gastar menos? Vamos acelerar, vamos crescer mais rápido, contratar gente ou não vamos segurar, amadurecer? Isso é uma decisão que todo empreendedor tem que ter, e no nosso caso, como a gente tá falando de valores ainda maiores é mais difícil tomar essa decisão.

Mas sim, é um business que você tem que ser preocupar com o capital, tem um investimento muito grande no começo, você tem que ter sócios que vão ter paciência para acompanhar esse crescimento da empresa, não é tão simples, mas nossa cultura é muito voltada ao ser consciente em relação a quanto você tá gastando, a entregar resultado, saber se precisa de uma pessoa ou automatizar alguma coisinha ou não.

Pedro, o Neon é conhecido por ter diversas taxas zero e outras taxas minúsculas. Para você hoje, é muito complicado manter essas taxas?

No nosso caso é super complicado, temos que ser muito eficientes, no mínimo detalhe. Assim, se você comprar nosso custo de aquisição de um cliente, com qualquer outro player do mercado o nosso custo é irrisório.

A gente tem poucos produtos, e queremos desenvolver mais e que sejam mais rentáveis, mas temos que segurar a onda até que isso aconteça.  Quando a gente entrou no mercado, oferecemos a conta mais barato, hoje já tem outros players oferecendo tudo com zero de tarifa. Só que conhecemos os números, e sabemos que isso não se sustenta.

O que a gente sabe, é que não quer penalizar o cliente, foi por isso que comecei esse negócio, eu não queria pagar um absurdo de tarifas, vamos cobrar o que é justo, pelo que o cliente usa, tentar encontrar o menor preço que seria possível para que ele seja rentável.

Queria saber um pouco mais de você e do seu trabalho. Como você trabalha, como se organiza?

Não sou uma pessoa muito organizada, mas tenho bem claro o meu papel aqui na empresa. Eu tenho três funções aqui, que  é garantir que as pessoas que estão aqui dentro são pessoas muito boas e alinhadas à nossa cultura e dar ferramentas para que elas possam trabalhar. Segundo ponto, garantir a sustentabilidade da empresa a longo prazo, por exemplo, onde eu vejo os próximos passos da empresa, qual é a próxima inovação, quais os produtos, definir pra onde a  gente vai, entender tendências. E a terceira função que me dedico muito é o modelo de gestão como um todo, acho que a parte que me toma muito tempo, porque quanto melhor tiver as pessoas dentro de casa mais dá certo o negócio.

Como é a sua agenda? Como você organiza seu dia de trabalho?

Eu uso o meu e-mail como minha ferramenta de organização, vejo as demandas pelos e-mails lidos e não lidos, e quando preciso fazer alguma tarefa, mando um email pra mim mesmo para servir de lembrete. Sei que existem melhores ferramentas para auxiliar na organização de agenda, dentre outras coisas, mas pra mim o e-mail funciona muito bem. 

Eu passo muito tempo na empresa, no início eu quase não ficava aqui, estava sempre na rua buscando parceiros, investidores, fornecedores, agora que temos um plano muito bem definido para um ano e meio, então agora é focar na execução, fazer o time dar certo.

No meu dia a dia tenho muitas reuniões com os times, me reúno com todas as áreas, para saber como está o andamento do trabalho, como eu posso ajudar, quais são os planos, o que está dando certo ou errado, acho que isso é o que mais consome meu tempo, juntamente com entrevistar pessoas boas, e garantir que elas estão aqui dentro, dar feedbacks.

Geralmente eu defino assim, entre oito e dez da manhã,  responder e-mail, olhar se há alguma pendência para resolver, dez horas geralmente acontece as reuniões mais pesadas, e durante a tarde eu vejo o que precisa ser feito para essas pessoas performaram, no final do dia eu volto a responder os e-mails, organizar minha agenda.

Quando você contrata ou ajuda algumas pessoas a ter uma posição melhor aqui dentro do Neon,  quais são as características, o que você busca em pessoas?

É um mega desafio encontrar pessoas, e cada vaga tem a sua especificidade, mas a gente espera também o básico, que é,  pessoas que estejam antenadas, super proativas, que pesquisa sobre empresa, que demonstrem que realmente querem fazer parte da Neon.

E tem um segundo ponto, que é especialmente no Neon a gente está construindo algo, porque a gente acredita nisso, a gente levanta uma bandeira aqui, de simplificar a vida das pessoas, ajudar você a construir seu sonho, sem precisar pagar um monte de tarifa para isso. Então acho que para a pessoa estar aqui dentro, ela também tem que acreditar nessa causa, não é simplesmente mais um trabalho. 

Pedro temos uma curiosidade, já ouvimos que um banqueiro chegou em você pra falar “porque que o meu cliente trocaria o meu banco pelo seu?”. Isso aconteceu  mesmo?

Aconteceu várias histórias parecidas com essa, e assim eu nem julgo, porque esse cara é de outra geração. No Neon funciona assim, eu baixo o aplicativo, testo se for bom fica, se não for bom eu deleto, é esse relacionamento que as pessoas têm com a empresa. E quando vem uma pergunta dessa, o cara tem todo o mérito, ele construiu um banco gigante, mas as coisas estão mudando, as pessoas querem algo diferente.

Muitas pessoas não gostam de ir até o banco, e o Neon é uma alternativa para fazer algo de uma forma simples, por isso que pessoas mudariam, pra ter uma forma mais tranquila de comunicação, mais friendly, não tem nada escondido. Nossa ideia é essa, montar algo que eu gostaria de ter, que todos meus amigos tivessem, então vou montar com maior carinho pra todo mundo.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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