2ª Temporada,

Julio Vasconcellos, CEO da Prefer e ex-Peixe Urbano. Serial, incansável e fundador novamente.

março 22, 2018

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Antes de fundar a Prefer, Julio co-fundou, em 2010, o Peixe Urbano. Nascia ali, um dos cases pioneiros de startups de sucesso no país.

Em 2014, vendeu sua startup para um dos maiores grupos online da China. E investiu em startups como VivaReal, IDwall, Quinto Andar, Méliuz, entre outras dezenas.

“O produto que funciona bem para mil pessoas, não é o mesmo que funciona bem para 1 milhão” – Julio Vasconcellos

Empreendedor (e agora investidor também) ele está fazendo todos os passos de sua primeira startup, novamente. Criando um produto do zero (só que agora nos EUA), falando com usuários, levantando investimento e montando um time na Prefer, seu marketplace de serviços profissionais focado em autônomos. Incansável, Julio também montou com outros empreendedores, o fundo Canary.vc.

A vida no Vale do Silício, a venda do Peixe Urbano para o grupo chinês Baidu em 2014, a atuação como investidor anjo e a formação acadêmica do empreendedor, moldaram um dos CEOs brasileiros mais importantes da nova geração.

E isso está claro. Tanto na Canary, quanto na Prefer.

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TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Para começar a conversa, a gente queria saber um pouco sobre a startup que você fundou nos Estados Unidos. Qual problema ela resolve e o que você queria resolver de problema seu? 

A gente montou um produto, e estamos desenvolvendo com objetivo de ajudar profissionais independentes. Pode ser desde um advogado, um contador, um médico, um personal trainer. Qualquer pessoa que preste um serviço e trabalhe de forma independente. 

O objetivo é ajudar esses profissionais a crescerem os negócios deles. Em outras palavras: se eu sou um advogado e preciso arrumar novos clientes,  como é que eu consigo arrumar esses clientes? 

O que a gente percebeu no mercado é que a forma que esses profissionais crescem enquanto negócios é através de indicações. Indicações de clientes satisfeitos e indicações de outros profissionais. 

Então é isso que a gente queria resolver. Você, enquanto profissional, consegue ter um maior volume de indicações através de pessoas que te conhecem e indicam o seu serviço. E, de fato, esse é o melhor tipo de cliente para você receber.

E como você torna isso um pouco mais previsível? Hoje, quando você está esperando por indicações para crescer o seu negócio como profissional, é um processo muito incerto. 

O que a gente começou a desenvolver com a Prefer, é uma forma de profissionais poderem se juntar a outros profissionais, na própria rede. E isso gerando uma rede de contatos, uma rede de profissionais independentes. E, através dessa rede indicarem potenciais clientes uns para os outros.

A gente já via muito isso do fisioterapeuta indicando o personal trainer, o professor de yoga. Ou o contador indicando um advogado e talvez um banco. E a gente quis pegar esse tipo de relacionamento do mundo offline e trazer para o mundo online.

E torná-lo mais eficiente e eficaz. E, a visão de longo prazo, é realmente pensar em como a gente consegue montar quase que a firma do futuro. Atualmente o que mais vemos são profissionais trabalhando de forma independente.

Então, a gente queria substituir o valor e importância de uma empresa para esses profissionais que trabalham de forma independente. Começamos querendo gerar mais negócios, com mais clientes de maneira qualificada. 

Mas, com a visão de longo prazo de resolver esses problemas que os profissionais independentes tem. No nosso mercado, os EUA, cerca de 30% da força de trabalho é de profissionais independentes.

É um número crescente, até 2022 mais de 50% da força de trabalho será de profissionais independentes. Então a gente pensa em como vamos conseguir apoiar o futuro do mercado de trabalho. E fazer isso através de softwares e tecnologia.

E, obviamente, você vai tentar bancarizar, usar outros recursos para legalizar esse profissional autônomo?

Atualmente, mais aqui nos EUA do que no Brasil, a maioria desses trabalhadores são legalizados. Trabalham como uma pequena empresa. O maior desafio é ajudar esses profissionais.

A maioria desses trabalhadores, se tornaram trabalhadores independentes porque gostavam muito daquela atividade. Boa parte desses empreendedores, acabaram com essa função não porque queriam empreender, mas porque queriam exercer uma paixão, uma profissão de forma independente.

A gente tenta aliviar a necessidade de você tocar o próprio negócio e ser um empreendedor, para você focar naquilo que você entende e gosta de fazer.

E que estágio está o Prefer?

A gente começou a empresa há uns dois anos. A primeira versão do produto, entre pessoas que a gente conhecia, nós lançamos no final de 2016. Mais ou menos 9 meses depois de ter começado a empresa, e a versão mais pública a gente lançou em maio de 2017.

A empresa ainda está no período de desenvolvimento e evolução do produto. Mas a gente já tem um produto no mercado há cerca de 1 ano. Mas ainda estamos aprendendo, não atingimos o nível de engajamento e atividade que queríamos.

Então, eu não vejo como o produto final e nem considero como bem sucedido ou estar funcionando. Ele está em fase piloto e a gente quer continuar aprendendo e melhorando até chegar no nível de engajamento e valor para usuários que queremos ter.

Nesse marketplace, nessas duas pontas: do cliente que vai consumir o serviço e do profissional que vai prestar o serviço, onde é o maior esforço de vocês de aquisição. O que vocês sentem como desafio: os profissionais para recomendação ou o cliente para consumir o produto desse profissional?

Atualmente a gente está bem focado no profissional. A gente pensa nele como a forma que vai plantar essas sementes na rede. Os primeiros usuários são todos profissionais e usá-los para conectar uns com os outros.

Ainda não estamos focando na experiência do cliente. Essa parte deixo na mão do profissional para ele permitir a experiência e prestar o serviço como ele sempre prestou.

O grande esforço que temos hoje é a parte de aquisição de profissional e, naturalmente, engajamento.

Qual a principal diferença que você sentiu de entre empreender nos EUA em comparação com o Brasil?

A dificuldade de empreender é mais ou menos igual nos dois países. Os desafios são diferentes. Eu diria que a probabilidade de a empresa dar certo é igual, mas as razões que ela pode não dar certo são diferentes.

No Brasil, o volume de competição, e a qualidade em muitos casos, é diferente daqui. O Brasil é um mercado menor e, na área de tecnologia, é mais novo do que o dos EUA.

O mercado americano é muito maior que o brasileiro. Quando você monta um produto no Brasil que funciona o maior desafio é escalar equipe e a própria empresa, na área burocrática. A competição não é a maior preocupação no Brasil. 

Aqui nos EUA é diferente. Escalar uma equipe com qualidade é muito fácil e a parte de burocracia funciona muito melhor. E, principalmente a área de São Francisco e Vale do Silício, pode ser comparada com o resto do mundo.

Essa região é muito especial em questão de infraestrutura, para novas empresas de tecnologia. A dificuldade aqui é que a cada ideia nova, cada mercado novo, tem dez pessoas atacando aquele mesmo mercado.

O mercado é muito competitivo. O maior desafio é você contra outras empresas.

Você teve uma experiência muito grande no Peixe Urbano, e agora até como um investidor investidor-anjo. Essa experiência toda, você acredita que consegue aplicar melhor no trabalho, no seu dia a dia? 

Com certeza a minha experiência é super útil. No dia a dia, quase que a cada hora, eu uso o aprendizado, a experiência que eu já tive. E não só no Peixe Urbano.

Eu trabalhei no Facebook, em outra startup menor aqui nos EUA. Então você começa a ver os desafios, as mesmas oportunidades. Só que em situações diferentes. 

E a sua capacidade de identificar um padrão que você já viu antes, e entender como reagir e como aproveitar essas oportunidades é super importante. Eu consigo hoje, fazer coisas que, talvez a primeira vez que eu fiz, demorei 5 horas. 

Eu consigo fazer hoje em uma hora. Porque eu já fiz antes, eu já sei quais são os desafios e dificuldades e, consequentemente, consigo fazer as coisas melhor porque eu erro muito menos.

Qual o tamanho do seu time hoje? E o que você teria feito diferente lá atrás, no Peixe, por exemplo, que você conhece bem?

A equipe hoje de Prefer são 10 pessoas, uma equipe bem enxuta e tudo nos EUA. Mas é um tamanho bom para o nosso estágio.

Com o Peixe, o maior aprendizado, foi uma questão de ter foco. Uma coisa que poderíamos ter feito melhor, foi na parte de expansão geográfica. Acho que a parte de expansão geográfica e foco nos produtos a gente poderia ter feito melhor.

Tanto que, aqui na Prefer, a gente decidiu lançar apenas no mercado de Nova York. Um mercado muito grande, com muita densidade. E, até a gente fazer com que o produto “funcione” em Nova York, a gente não quer partir para o próximo mercado.

Quais são os próximos passos da Prefer?

O primeiro desafio é desenvolver um produto para o mercado que você quer atacar. Então quando você acerta o produto para o mercado, que consegue engajar, o próximo desafio é escalar.

E os desafios de levar o produto para mais pessoas são bem diferentes em cada estágio. E os desafios de produtos também são diferentes. Você tem que evoluir aquele produto para continuar entregando o mesmo valor ou mais valor. E ter uma equipe para garantir uma boa experiência.

A gente falou das dificuldades Brasil versus Estados Unidos e você citou as vantagens que o Vale do Silício apresenta. Mas todo mundo fala que, em São Francisco, a maior dificuldade é contratar e reter talentos, em todas as áreas. É algo que tira o sono? 

Essa é a base da competição. As empresas estão brigando pelo mercado e pelas empresas. Profissionais que são muito bons, tem experiência ou tem uma boa reputação, constantemente estão recebendo propostas para trabalhar em outras empresas.

A questão de reter talentos, ou ter, faz parte da competição. Mas, agora no começo, conseguir uma equipe com dez, vinte pessoas, não é tão difícil. Requer um certo esforço.

Mas é possível fazer isso através da própria rede de relacionamentos, da rede de relacionamento dos seus funcionários. A gente não teve grandes desafios nesse aspecto não.

E, embora tenha muita competição, o grupo de talentos aqui é bem melhor que a brasileira, por exemplo. 

O que você fazia antes, inclusive do Peixe Urbano. Quem é você antes do Peixe Urbano?

Eu sou de Brasília, morei fora boa parte da minha vida. Meu pai é diplomata, então eu ficava três anos no Brasil e três anos fora. Mas cresci em Brasília. Quando eu decidi fazer graduação, fui morar nos EUA.

Eu estudei Marketing e Finanças, na Universidade de Pensilvânia, na Filadélfia. Depois eu trabalhei três anos em Nova York como consultor. E chegou o momento em que eu estava com vontade de empreender.

Eu queria me envolver mais com o mundo da tecnologia, o mundo da internet. Isso foi em 2004/2005. E eu decidi que a melhor maneira era me mudar para a Califórnia e vir para o Vale do Silício.

Fiz MBA em Stanford, não é a melhor maneira para entrar nesse mercado, mas eu escolhi certo. Comecei a conhecer gente da área de tecnologia, trabalhar com startups e fazer estágio.

E trabalhando em uma startup de tecnologia, que cresceu bastante, eu decidi que estava na hora de montar minha própria empresa. Eu queria ter a experiência de empreender e trabalhar no Brasil.

Em 2009/2010 o Brasil estava em plena expansão econômica, com evolução de mercado e sistema de tecnologia. Então, eu acreditava que essa onda de startup e tecnologia ia chegar com muita força no Brasil nos próximos anos.

Nessa época eu estava sendo recrutado pelo Facebook, e a empresa queria alguém para ajudar a crescer a plataforma no Brasil, que era a terra do Orkut. Eu aceitei a proposta do Facebook e fui para o Brasil.

A ideia principal de voltar para o Brasil era montar uma empresa. Eu já tinha um co-fundador, uma pessoa que eu tinha trabalhado nos EUA, o Alex. Ele foi meu co-fundador no Peixe Urbano.

Nessa mesma época, empresas como o Groupon estavam bombando aqui nos EUA e era um modelo em expansão. E a gente acreditou que era um modelo que podia crescer no Brasil.

Então levamos esse modelo com serviços locais, de compras em grupos. E a gente foi expandindo para outros serviços locais, como reservas, delivery. Mas nenhum teve a magnitude do serviço de venda.

É interessante que toda sua trajetória te ligam para o momento atual. E, como CEO, como você define seu papel, o que você faz no dia a dia, qual a sua rotina de trabalho?

Acho que você ser CEO em uma empresa de 10 pessoas e em uma empresa de 1000 pessoas é bem diferente. Quando está no começo, é todo mundo mão na massa, todo mundo tem que fazer o que é preciso para aquele dia, é quase que todo mundo igual.

Então, hoje, eu fico boa parte do meu dia na parte de desenvolvimento de produto. E a parte toda de engajamento local, é a porta que a gente tem que fazer para trazer profissionais para a plataforma.

Então, meu dia a dia, eu diria que metade dele — ou até dois terços — é fazendo o que a gente precisa fazer, na área de produtos, na área de design, na área de marketing, e assim vai.

E, um terço é a área de liderança. O CEO é o principal vendedor da empresa. E você tem que vender a visão, o propósito e a missão da empresa, de maneira interna para manter a equipe engajada e informada. E com visão de longo prazo.

E tem a parte de comunicação, garantir que todos estão comunicando bem, alinhado com o que está sendo feito. E o CEO é a principal fonte de comunicação e alinhamento que existe no grupo.

E tem a parte de vender para o público externo, tanto para parceiros, investidores do mercado, quanto para o público que eu quero atrair. 

E, boa parte do meu tempo é levantar capital quando a gente precisa, é saber se nossos investidores sabem o que tá acontecendo e saber como eles podem nos ajudar. 

E garantir que qualquer parceiro nosso, seja empresa, usuário ou cliente, estejam engajados e comprem a missão da empresa. E, quanto mais a empresa cresce, mais o CEO se afasta das tarefas do dia a dia para gerenciar equipes, orientar e direcionar líderes que vão executar aquilo que antes você fazia.

Você como CEO, eu diria que boa parte da cultura da empresa é um espelho de como você se comporta, e a maneira como você lida com as pessoas, com os clientes e com o mercado. Outra parte é você ser esse exemplo que você gostaria que todo mundo seguisse e fosse.

Você tem uma história de saída. Fez uma startup de sucesso. Me parece que você está realizando outro sonho. E a história comum não é essa. Você está realizando outro sonho com a Prefer?

Eu gosto desse momento inicial: de pensar em uma ideia, tirar ela do papel, apresentar ela. Eu gosto muito desse início quando você está ainda como CEO e fundador, que você dedica dois terços do seu tempo para fazer as coisas acontecerem.

Eu acho legal, criativo, divertido e é desafiador. Eu gosto do meu dia a dia. Eu acho também que com o Peixe a gente teve os dois anos iniciais de crescimento absurdo. E, depois, teve muita dificuldade, com o mercado implodindo. E a venda e saída eventual.

Eu diria que quando você cria um negócio, você não quer esse final, quer ele explodindo. E eu queria ter uma história de fazer o foguete chegar em órbita. Então, parte disso é gostar muito do início e parte disso é esse sentimento de missão não realizada com o Peixe.

E empreender de novo nesse mercado, seja com pequenos negócios ou profissionais independentes, é uma segunda tentativa para fazer o negócio dar certo de forma permanente.

É a sensação de ver que o trabalho tem impacto. E, é por isso que eu estou como investidor anjo. De pegar minha experiência e trazer isso para outros grupos que estão nesse estágio de desafio.

Quem você está contratando no time hoje, quem você busca? Qual a característica das pessoas que você quer no seu time? E, especialmente a característica das pessoas que você não quer no seu time?

A gente fala que quer pessoas corajosas, que não tenham medo de nada. Pessoas que eu possa dizer: “resolva esse problema”. E é aquela pessoa que vai dar tudo, e mergulha sem medo e com coragem, para resolver o problema. Mesmo que seja algo que aquela pessoa nunca encontrou antes, não conhece, talvez tenha que aprender algo do zero.

É ter essa vontade de aprender coisas novas e resolver problemas muito difíceis, que não resolveu antes. Outra parte é a flexibilidade, de ser uma pessoa que consegue fazer o que a empresa precisa naquele momento.

Uma pessoa que consegue fazer um pouquinho de tudo, que tem vontade de aprender e fazer um pouco de tudo, independente da equipe e área. Tem que ser gente flexível e disposta a fazer o que precisa naquele momento.

E claro que gente inteligente, criativa e que está disposta a trabalhar muito. No começo a gente precisa de gente que está disposta a ficar muitas horas para fazer o negócio funcionar.

Sobre o Like a Boss

O Like A Boss é apresentado por Alura, Caelum e Vindi. Participe também do grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss no Telegram.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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