2ª Temporada,

Candice Pascoal, CEO da Kickante. O nome do financiamento coletivo no Brasil.

abril 05, 2018

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Candice Pascoal, CEO da Kickante, é uma das maiores vozes do empreendedorismo feminino no Brasil.

Nasceu em Juazeiro (na Bahia) e ganhou o mundo, ajudando causas de diversos setores: sociais e artísticas. Antes de fundar a Kickante, maior case de financiamento coletivo (crowdfunding) do país, a empreendedora foi uma das responsáveis pelo projeto Putumayo World Music, que dá voz para músicos de todos lugares do mundo. Trabalhou no World Trade Center Association e ajudou diversas ONGs internacionais como CruzVermelha, WWF, Anistia Internacional, Médico sem Fronteiras e outras, a captarem recursos.

“Pare de ler livros do Vale do Silício e olhe para seu mercado. E segue seus passos…” Candice Pascoal, CEO da Kickante.

Candice mora em Amsterdam e comanda uma equipe de pessoas espalhadas por São Paulo, Porto (Portugal), Salvador e Nova York (USA). É autora do livro Seu Sonho tem Futuro e em 2017 recebeu o prêmio Cartier Women’s Initiative Awards, um dos mais importantes prêmios de empreendedorismo feminino mundial.

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TRANSCRIÇÃO DO EPISÓDIO

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Candice a gente queria começar sabendo qual que foi o problema inicial que a Kickante queria resolver? por que você criou esse empreendimento?

Candice Pascoal: a Kickante veio de duas angústias que eu tinha, o primeiro é que já havia muito tempo que eu estava fora do Brasil, e eu queria retornar com um projeto, fazer algo pelo meu país. 

O segundo ponto é que na minha carreira internacional eu vi muitos artistas maravilhosos sem a chance de visibilidade, além disso, também trabalhei com organização de fundos para ONGs e em uma de minhas visitas à Índia ao observar uma menina dormindo no chão eu senti que de uma certa maneira ela me dizia que o impacto que eu fazia no mundo era bom, mas não é o bastante. Então eu precisava fazer algo pelas pessoas, pelos artistas, pelo meu país.

Assim, a Kickante nasce dessa angústia de dar oportunidade às pessoas que estão no Brasil, uma empresa promovendo o empreendedorismo social 

Mas por que você saiu do Brasil? 

Candice Pascoal: eu estudei administração com comércio exterior, quando eu estava ainda na faculdade, eu fui estagiar na World Trade Center Association, e seu fundador Guy Tozzoli, tornou-se o meu mentor. Ele notou todo meu esforço e me destaquei no que estava fazendo, assim todos os dias eu tinha uma hora de mentoria com ele. Eu era muito nova, não tinha ideia de onde estaria no futuro, mas sabia que queria trabalhar no mercado internacional. Ele identificou isso em mim e me deu uma grande mentoria de liderança feminina, com ensinamentos que eu guardo até hoje, e que já serviu para inspirar muitas pessoas que trabalharam comigo.

Você acabou montando um crowdfunding, você pode explicar o que é esse modelo e como ele funciona?

Ele possui três nomes, crowdfunding, financiamento coletivo ou vaquinha, então se você já ouviu algum desses nomes a gente tá falando da mesma coisa. É um serviço em que você pode captar fundos para os seus projetos com a força da multidão, com apoio do povo.

Na Kickante você vai ter uma verdadeira aula de marketing digital, porque é importante você usar suas redes e saber algumas técnicas para ter sucesso. Aprendendo conceitos importantes de marketing digital, vai possibilitar a continuidade ao projeto, assim,  seguindo os passos do nosso plano de marketing, vamos conseguir multiplicar seus resultados.

Além disso, durante a sua campanha a primeira doação é da Kickante, ou seja,  você não vai enviar para o seu futuro contribuidor uma campanha zerada, as pessoas vão saber que nós já apostamos em seu projeto isso tem um impacto muito forte, é nosso diferencial.

Somos uma comunidade de um milhão de brasileiros que quer apoiar projetos e tirá-los do papel por meio do financiamento coletivo, com a menor taxa do mercado que é 12% tendo meta batida ou não, dessa forma é mais dinheiro pro seu bolso. 

Qual foi o primeiro projeto que a Kickante lançou e qual foi o de maior impacto na plataforma?

Consegui captar um investimento inicial de um milhão de dólares para lançar o projeto, depois disso eu convidei o meu irmão, Diogo Pascoal e assim começamos a empresa. Nos seis primeiros meses montamos a plataforma e coloquei com meta de  lançar a plataforma com 18 clientes, pois a concorrência que já operava no país há três anos, tinha de 18 a 20 clientes por mês, então eu falei eu vou lançar no mínimo com isso quando a Kickante nasceu, não tivemos um primeiro cliente, mas sim dezoito.

E eu quem fui atrás desses clientes, o primeiro com quem eu falei está até hoje conosco na Kickante, e sempre ao explicar o que era a crowdfunding eu dizia, é descomplicar, eu falo muito para os empreendedores que vem para mim com ideias mirabolantes, descomplica. As coisas são muito simples para sair do papel, pára de ler livro de quem fez no Silicon Valley A, B, C e D olha para o seu mercado, olha para o seu projeto e simplifica, então o que eu fiz foi tudo muito simples, entrei no Facebook e saí buscando ONGs no Brasil, buscando músicos, assim eu e o Diogo fomos fazendo contato e apresentava o que iríamos lançar no Brasil, as inovações que estávamos trazendo e os foi assim que captamos nossos primeiros dezoito clientes. E minha maior emoção foi quando a primeira pessoa que eu não tinha convidado a princípio, nos procurou, lançou uma campanha sozinho e na primeira semana bateu a meta.

E um dos projetos de maior impacto é o Médico sem fronteiras, pois se trata de uma grande ONG. E pela primeira vez no mundo, uma organização desse tamanho fez crowdfunding, isso impactou o mercado como um todo, ao colocarem sua campanha com a gente, eles deram o exemplo para as outras organizações também lançarem seus projetos, isso mudou a indústria de forma geral.

Você pode falar quanto  foi a captação do Médico sem Fronteiras?

A primeira captação deles foi pequena, de R$10.000, uns 10 dias depois, eles lançaram uma, se não me engano, de R $46.000, e aí todo ano eles lançam suas campanhas. No ano seguinte foi uma captação de R$150.000, no terceiro ano por volta de R$200.000. 

E sempre falo para os criadores de crowdfunding, sua primeira campanha ela sendo bem-sucedida ou não, não determina a próxima campanha. Entenda que o seu público vai se familiarizar com você, então uma primeira campanha você vai captar “x” a depender como você continua sua comunicação com seu público depois do sucesso desta campanha, você vai ver como será o resultado da segunda.. Por isso a importância de manter contato com eles, enviar as recompensas a tempo, criar relacionamento.

Outro ponto que acho importante, é a gente entender o lado do cliente, e assim eu me coloco no lugar dele, me tornando cliente do meu próprio negócio, por exemplo eu já lancei livros pela Kickante. Então se você é um cliente também do seu produto, mostra não só que você confia nele,  mas que você vai passar pelas dores do seu cliente.

Você considera a Kickante uma fintech?

Então ela é considerada sim, e quando pensamos numa fintech que também é de impacto social, ficamos naquela linha tênue entre fazer o empreendedorismo social e também ter resultados.  Assim, o que mais gosto do crowdfunding é exatamente essa democratização do acesso às finanças, pois o que acontece geralmente é um acesso limitado à oportunidade, onde duas ou três pessoas decidem se o seu projeto é bom ou não, e eu sou completamente contra isso. A  Kickante é a primeira plataforma no Brasil que proporciona a você lançar sua campanha e o povo decidir se você será financiado.

Como se trata de uma fintech você acha que os bancos enxergam vocês como um concorrente direto?

Candice pascoal Kickante: Na verdade somos tão pequenos em relação aos bancos, então eu não vejo como concorrência, porque o crowdfunding não é uma plataforma ou um meio de lucros tão grandes quanto o banco. Eu não vi de nenhum banco aquele interesse em fazer crowdfunding, porque é muito pequeno para eles, a gente é um empreendimento social,

Candice, como você foi parar na Holanda e qual é a dificuldade de você ser uma CEO remota ou parcialmente remota?

Candice pascoal Kickante: Eu vim pra cá a trabalho, e minha adaptação foi muito difícil na Holanda, eu morava anteriormente em Nova York e voltava pra lá praticamente todo mês, depois de uns dois anos aqui eu conheci o meu parceiro, ele já morava aqui há muito tempo.

Depois de 4 anos na Holanda eu decidi que eu não queria viajar tanto a trabalho, porque como eu trabalhava com mercados internacionais eu vivia dentro do avião, é claro que tem algo maravilhoso com isso, eu tenho amigos ao redor do mundo,  já visitei todos os maiores centros financeiros, mas é muito desgastante. Então, decidi que queria ficar em um lugar, pedi demissão e enfim, comecei a Kickante e foi assim que eu vim parar na Holanda.

Como fundadora como você define seu papel hoje, como CEO da Kickante? Qual sua principal atribuição?

Candice pascoal Kickante: O meu negócio é online, e o meu time trabalha home office,  nós temos ferramentas para um trabalho eficaz. O Diogo que é o cofundador lida com toda a parte operacional e financeira, é uma área que eu não preciso preocupar, só uma vez por mês eu tenho a revisão geral dos números.Tenho a responsável pelo time de business development, uma pessoa que é responsável pelas vendas digitais, uma pessoa responsável por atendimento ao cliente e nosso time de suporte.

E meu papel como CEO, é um trabalho muito próximo, pois eu trabalhei com mercados internacionais, onde tinha times ao redor do mundo. Com o tempo, você desenvolve uma maneira de perceber, como uma pessoa se sente pela forma que ela escreve um e-mail, quando uma pessoa fala comigo no Skype, eu já sei se ela está bem ou não, todo meu time me envia diariamente uma recapitulação do seu dia.

E usamos de muitas ferramentas de apoio, como Whatsapp, Skype, dentre outros para fazer essa gestão e minha experiência internacional também contribui muito, mas é sempre desafiador, quem trabalha comigo sabe que eu sou extremamente transparente com as coisas boas e as coisas ruins também.

E essa transparência é muito importante, pois acabo criando um time de pessoas ao meu redor com laços muito fortes, independente do lugar que estão. Temos colaboradores nos Estados Unidos, Portugal, Holanda e no Brasil e somente o time de desenvolvimento de negócios que precisa estar especificamente em São Paulo, porque são eles que estão em contato direto com nossos clientes VIPs.

Sobre o Like a Boss

O Like A Boss é apresentado por Alura, Caelum e Vindi. Participe também do grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss no Telegram.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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