2ª Temporada,

Vinicius Roveda, CEO da ContaAzul. Software como serviço de classe mundial.

abril 19, 2018

Vinicius Roveda fundou a ContaAzul em Joinville, em 2011, com a pretensão de ajudar pequenos empresários a fazer gestão. E deu certo!

Engenheiro de software de formação, o empreendedor é CEO de uma das startups de maior sucesso no país e comanda um time de mais de 250 pessoas, com foco em distribuir ERP de forma simples (e descomplicada) para pequenos empresários. Depois da ContaAzul, o mercado de ERP para pequenos empresários mudou.

“Toda empresa precisa de gestão, independente do tamanho” – Vinicius Roveda

Vinicius coordena a empresa desde 2011 (quando ainda se chamavam Ágil ERP), onde já passou por todas fases de um fundador de uma startup que cresce muito: fundação (MVP), aceleração, investimento de venture capital e escala. Recentemente, a empresa captou cerca de R$100 milhões em investimentos.

Super premiada, a ContaAzul é um dos cases SaaS mais bem sucedido em termos de escala, produto e fundraising do Brasil.

Você também pode ouvir o Like a Boss nas plataformas:

Grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss: https://t.me/grupolikeaboss.

Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Vinicius, eu queria saber um pouco sobre a trajetória da ContaAzul, como ela nasceu, e qual o problema que você estava querendo resolver?

A gente começou a ContaAzul em Joinville, uma cidade onde tem uma cultura muito forte de software, tecnologia e foi o que me trouxe até aqui. Eu vim cursar Ciência da Computação, na Universidade do Estado de Santa Catarina. Aqui é muito forte nas verticais de software, então foi muito normal entender a dinâmica desse mercado.

E o que me deu estalo de empreender foi a combinação de alguns fatores, além desses de Joinville, como as empresas que trabalhei, o meu desejo de entender culturas diferentes, da forma de entender como as coisas acontecem para se construir uma empresa. Eu percebi que é muito difícil mudar a cultura de uma empresa, e era mais fácil construir a que eu acreditava.

Quando eu estava terminando MBA, lembro que na família da minha esposa tinha uma série de donos pequenos negócios, e eles sempre me perguntavam se eu conhecia alguma solução para ajudar eles a se organizarem, ter mais controle da sua empresa. Eu tentei ajudar, mas da forma com que eu acreditava que deveria ser não tinha, foi que quis conhecer melhor esse mercado, ver se era atrativo, e vi que era muito grande, o mercado brasileiro hoje tem 20 milhões de empresas e realmente existe uma lacuna para essas pequenas empresas cuja experiência ideal para eles ainda não foi entregue e na tentativa de resolver esse problema que achei aqui teria aí uma oportunidade, disso tudo nasceu a ContaAzul.

Em que ano foi isso?

Essa ideia inicial foi entre 2007 e  2008 de uma maneira bem artesanal, junto com José Carlos Sardagna, mas a princípio não tivemos êxito. Nos unimos a dois amigos que estavam vivendo o mesmo problema  e iniciamos a primeira versão do que é hoje ContaAzul. Em Janeiro de 2012 lançamos a ContaAzul mercado, mas um pouco antes disso, em 2011 tivemos um capítulo importante foi a ida para o Vale do Silício, e com um investimento relativamente baixo conseguimos construir a estrutura de marca que temos hoje.

Explica pra nós, o que faz a ContaAzul hoje? 

O propósito da ContaAzul é impulsionar o sucesso do dono de negócio, criamos uma plataforma onde de um lado o dono do negócio consegue uma maneira muito rápida e fácil de organizar sua empresa, ter mais controle. Então, por isso, ele economiza 60% do tempo que usa para fazer a gestão do negócio e fica muito mais tempo para vender, para fazer o negócio crescer, ele tem muito mais controle e seu negócio é muito mais organizado.

Por outro lado, a plataforma coloca também o contador trabalhando junto com o seu cliente, significa que todos insumos que o escritório contábil precisa receber para fazer a contabilidade, já está dentro do ContaAzul, gerando mais produtividade. Assim, ele tem mais tempo para se dedicar para o seu cliente, entregar os serviços que realmente fazem sentido, o contador se torna um parceiro de negócios. A plataforma conecta o dono do negócio com o  contador para impulsionar o crescimento da empresa.

Com isso, se cria uma melhor relação com o banco, ele passa oferecer produtos personalizados para seu cliente, a gente os integra também com vários softwares e também com as fintechs que estão entregando diferentes soluções para as pequenas empresas. Além da integração com o governo do Brasil, que é muito digital, então a gente pode facilitar muito a vida do empresário, comunicando de uma maneira automatizada e coletando as informações do governo que ele precisa.

Qual o maior desafio hoje do ContaAzul como software?

O mercado é muito grande e fragmentado, e somente 22% das empresas usam software de gestão. Na prática que acontece no dia a dia do negócio, é que ele usa planilha para registrar a venda, emite boleto bancário no site do banco,  emite nota fiscal no site do governo, controla estoque numa outra planilha, ou seja a mesma informação vai sendo colocada em vários lugares, e além do tempo gasto, à medida que a empresa cresce um pouquinho ele perde o controle.

E a causa da mortalidade de muitas empresas no Brasil está ligada à falta de conhecimento em gestão, que é simples resolver. Com isso, muitos empreendedores, muitos donos de negócio que estão procurando organizar sua empresa, mesmo sendo pequena ou grande, ela precisa ser organizada, controlada, pois a competitividade é muito grande e não tem como você pensar em começar um negócio sem uma organização mínima.

Hoje o ContaAzul atende quantas empresas?

Nós oferecemos um teste gratuito, que é experimentado por em média 20 mil clientes, destes 2000 acabam se tornando novos todos os meses. É um volume muito grande, então, um grande desafio de, em todas as verticais, a gente conseguir melhorar sua experiência.

Como vocês conquistam esses pequenos e médios empreendedores?

O perfil mais comum do nosso cliente é aquele que está perdendo o controle de seu negócio. Existem séries de obrigações, como, emissão de nota fiscal, pegar todas informações de extrato bancário, nota fiscal, comprovantes, documentos da empresa e mandar para o contador todo mês para ele fazer a contabilidade. Ou seja, você tem obrigações que dão muito trabalho, então à medida que, a partir de uma venda que cai em nossa plataforma, todas as etapas acontecem de forma automatizada e todas as informações já vão para o contador em tempo real, há um alto nível de produtividade, tem muito mais organização e controle.

Então esses clientes vem basicamente do inbound?

Desde 2012 quando nós entramos no mercado, a ContaAzul cresceu muito via aquisição direta de clientes, então é uma das formas mais fortes que temos até hoje. Muita gente vem procurando soluções como a nossa, e cuidamos para  proporcionar uma experiência em que o cliente encontrasse uma solução rápida com custo acessível. 

Tentamos quebrar o vício da cadeia de software aqui no Brasil que foi ensinada a ganhar em serviços (de instalação, treinamento, consultoria), nossa proposta foi oposta, chamamos a  responsabilidade para gente, entendemos o que a usabilidade, a experiência, e criamos um solução que não precisava de treinamento, de implantação.

Nesse sentido, o cliente entrava no site, entendia a proposta e começava a usar o produto, sem a necessidade de treinamento, instalação, rapidamente ele via o valor e começava tomar o impulso de comprar. Então, tudo se sofisticou ao longo do tempo, hoje temos mais canais, mas a aquisição direta ainda é muito forte. 

E uma das coisas que a gente aprendeu ao longo do caminho foi que a relação da pequena empresa com seu contador é muito ruim. O contador ficava 90% do seu tempo voltado a coletar e digitar informação e só 10% do tempo ele tinha para se dedicar ao seu cliente. Sendo que o que o cliente valorizava o contrário, ele queria auxílio para analisar a empresa, a planejar um orçamento tributário mais eficiente, um parceiro para analisar uma oportunidade, se faz sentido investir ou não, ou seja, usar seu conhecimento acadêmico para ajudar seu cliente. Então a plataforma entra para otimizar o tempo e direcioná-lo ao que realmente é importante pra empresa crescer.

Como vocês fazem a decisão de produto e a criação de novas features?

O produto para gente é um dos principais pilares, a empresa tem que escalar, tem que ser forte, tem que ter de pessoas com capacidade de resolver problemas, então pelo volume de cliente que começa usar a plataforma buscamos uma maneira democrática de entender, quais são os pontos que as empresas mais precisam, onde precisamos mais evoluir em produto, criamos um portal onde todos os parceiros podem colocar suas ideias e todos podem votar, as mais votadas vai para nossa análise para sempre buscar melhorias no produto e que eles funcionem para todos nossos clientes.

Como você enxerga o desafio de ter uma empresa grande de tecnologia fora do eixo São Paulo? Dificulta a captura por talentos?

A decisão de instalar a empresa em Joinville trouxe muitos benefícios, a relação que a gente tem com os cliente é via internet, nossa aquisição é direta, então não há necessidade de estar fisicamente em determinada localidade. A tecnologia, a internet veio para descentralizar a questão dos grandes centros.

E também há a tendência das pessoas mais jovens buscarem qualidade de vida, que Joinville consegue oferecer, como segurança,  acesso rápido a praias lindas, ao campo, proximidade com as capitais.

E a empresa para atrair talentos, mais que localidade ela tem que apresentar um propósito forte transformador, uma cultura de verdade, alinhada com quem quer de verdade promover uma transformação em algum mercado e fazer diferente isso conta muito.

Qual o tamanho do time do ContaAzul e quais são os próximos passos da empresa?

Hoje temos mais de 250 pessoas, e deve chegar de 350 a 400 até o final deste ano. Estamos com condições de entregar para o mercado uma experiência totalmente nova, onde o contador está em contato com negócio em tempo real. Queremos comunicar isso melhor do mercado, e deixar mais claro o que é a ContaAzul.

Aqui é um país que a gente consegue fazer uma empresa que pode ser a maior do mundo nesse segmento em que atuamos. Então, esse ano começa uma comunicação mais profunda sobre essa transformação que a gente vai causar no mercado.

Conta um pouco mais sobre você e como você trabalha?

Eu vim para Joinville estudar Ciências da Computação, com 17 anos. Eu trabalhei durante a faculdade em 3 empresas diferentes de software antes de começar a empreender. Eu queria entender um pouco mais da dinâmica das empresas, então eu fui fazer MBA para ir além da minha visão técnica e começar entender sobre negócios.

Defina o seu papel como CEO dentro do ContaAzul hoje.

Empreender e manter uma empresa de alto crescimento é uma coisa super desgastante e motivadora ao mesmo tempo, porque você tem que se reinventar. Começamos com três fundadores e desde o início conseguimos nos organizar como grupo.

Então meu papel como CEO desde quando a gente começou até agora, você está realmente operando a empresa, falando com cliente, melhorando produto, fazendo parceria, ao ponto que você começa a contratar pessoas para fazer parte desse trabalho.

Então meu papel passou a ser de construir time,  trazer as pessoas corretas e tentar sistematizar isso. E depois em preparar pessoas  vão contratar as pessoas corretas para determinado cargo. Hoje o meu desafio é mostrar qual é a visão da empresa, para onde vamos, o que estamos construindo.

Qual  é a sua rotina como CEO da ContaAzul?

Acredito muito na disciplina, e minha rotina envolve preparação, hoje eu acordo 4:30 da manhã todos os dias para me preparar. Preparo minha cabeça com meditação e preparo para o dia com reflexão sobre o que é prioritário, o que devo fazer essa semana.

Também preparo meu corpo, fazendo atividades de esporte e saúde para estar  mais disposto para o dia de trabalho. Chego por volta das 08:00 na empresa, reduzo meu horário de almoço,  40 minutos a uma hora de almoço aproveitando esse tempo com alguém do time que eu preciso conversar e fico até umas 8 horas na empresa. Para aproveitar a noite com a minha família que é muito importante para mim.

Dentro da rotina, na segunda-feira eu gosto muito de fazer alinhamento com o nosso time, a gente tem uma conversa entre todos os diretores, para avaliar o que aconteceu na semana passada e planejar o que vai acontecer semana. Na sexta-feira a gente para toda empresa e tem o talking com todos para tirar dúvidas, sugestões, um momento de muita transparência.

Quem é a pessoa que trabalha no ContaAzul? Qual perfil do time?

Tem algumas características que são importantes, como alguém que queira ser o melhor naquilo que faz, que queira se comparar com os melhores. A gente sabe que esse caminho não é fácil, porque quando é dado um desafio muito grande o caminho vai ser árduo.

Também valorizamos o aspecto de ser alguém positivo, encarando situações de dificuldade com o alto-astral, o clima fica bom, tudo fica mais suave. Mas ao mesmo tempo uma pegada muito forte de resultado, a gente precisa crescer, manter qualidade.

E além disso algo que é muito importante, que é saber trabalhar em time, colocando a empresa muitas vezes, acima de suas metas pessoais, então se for analisar, esses são os principais ingredientes que a gente procura nas pessoas, além de uma série de competências ligadas à capacidade de execução, resolução de problemas, comunicação e liderança, onde cada nível tem sua exigência.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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