7ª Temporada,

Monica Saccarelli, CEO da Grão. O fim da poupança.

outubro 28, 2020

Grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss: https://t.me/grupolikeaboss.

Monica Saccarelli é fundadora e CEO da Grão.

A empreendedora tem um histórico no mercado financeiro brilhante. Depois de fundar e vender a corretora Rico para a XP, Monica e o time da Grão, querem mudar a forma como as pessoas guardam, investem e se relacionam com dinheiro. Especialmente as pessoas de baixa renda, já que com apenas R$1 real, qualquer pessoa pode investir no app da fintech.

A Grão recebeu investimentos de fundos como Astella, Vox Capital e Domo Invest.

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Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Monica, você pode nos contar o que a Grão faz? E se ela nasceu a partir de algum problema que você tinha? Como começou essa história? 

A Grão é uma fintech que veio para ajudar os brasileiros a guardar dinheiro. O que nós queremos é criar o acesso ao investimento para qualquer pessoa. Eu mesma aprendi a investir e lidar melhor com o meu dinheiro. E da mesma forma que eu aprendi, pensei como poderia ensinar milhares de pessoas a se relacionar melhor com o dinheiro. 

Quanto tempo a Grão existe?

Lançamos o aplicativo em janeiro de 2019. Mas foi em 2018 que nós começamos a formar o time e fazer bastante pesquisa. 

O aplicativo não começou com o nome “Grão”. Houve esse desafio de mudar o nome no meio do percurso, certo? 

Exatamente. Começou como “Diin”, mas nós não registramos a marca. Apesar de ser a minha segunda empreitada, sempre cometemos erros. 

E cometemos o erro de não registrar a marca logo no início. Uma outra instituição financeira já havia cadastrado o nome, então nós tomamos a decisão de lançar uma nova marca. E aí veio o Grão. Hoje, mais da metade dos nossos clientes não conhecem a “Diin”. 

E Grão é realmente um nome bem mais forte. 

Tem mais a ver com a nossa proposta: de grão em grão você vai conquistar o seu objetivo. 

O objetivo é ajudar os usuários a traçar metas em relação ao quanto eles querem guardar? Como funciona o App? Mais ainda: como vocês monetizam, qual o modelo de negócio de vocês?

Quando nós começamos a entender o porquê as pessoas não guardavam dinheiro, recebíamos dois tipos de resposta: a primeira era “eu não tenho dinheiro”; e a segunda, “eu não entendo nada sobre investimentos”.

Usamos a palavra guardar, porque, de acordo com os nossos clientes, investir é para quem tem muito dinheiro. Com 1 real você já começa a guardar dinheiro. 

Quando estamos falando de algo distante, como guardar dinheiro para a aposentadoria, fica mais difícil, né? Antes de iniciar uma maratona, é preciso começar a correr. Se você nunca realizou uma maratona, você precisa começar aos poucos, correr 5 quilômetros, 10 quilômetros, até você alcançar o seu objetivo. 

É a mesma coisa com o dinheiro. Por exemplo: Eu quero fazer uma viagem no final do ano. Eu quero comprar um carro novo. Para isso, precisamos guardar dinheiro. Nós incentivamos a pessoa a nomear seus objetivos. Fica mais lúdico e ajuda a aumentar a força de vontade. 

Nós monetizamos através de um spread, mas agora o nosso próximo desafio é criar uma conta digital, que já estava dentro do nosso plano, que era montar uma conta digital para automatizar o investimento dos nossos clientes. 

Nosso cliente, hoje, é bancarizado. Ele precisa transferir o dinheiro do banco dele para a conta da Grão. Com a conta digital, vamos iniciar outra forma de monetização. Vamos deixar o processo de guardar o dinheiro ainda mais simples. Temos, ainda, uma outra fonte de receita, que é o B2B. Agora também temos o pix. Está todo mundo animado e isso vai mudar bastante coisa para as fintechs. 

Qual o número de “grãos” e número de colaboradores? As pessoas estão atingindo suas metas? E como fica o cenário com a Selic lá embaixo? 

Hoje, somos em 16 pessoas. A equipe é bem pequena, bem enxuta. No caso do nosso cliente, que nunca investiu, ele normalmente guarda o dinheiro na poupança ou em casa. Hoje não estamos concorrendo com os investimentos. 

Temos várias histórias de clientes que guardavam o dinheiro em casa, às vezes sem saber que o dinheiro pode render. O nosso cliente é bem iniciante. Ele está acumulando dinheiro. 

Mônica, qual a importância de ter fundado empresas anteriores para história da Grão? 

As experiências ajudam. Começamos, lá atrás, como um Home Broker, depois uma corretora, e depois fizemos o spin-off para montar uma nova corretora… e agora uma fintech! 

Cometemos erros. Temos ansiedade, incertezas. E o sonho de mudar. É uma montanha russa. Vamos criando uma casca mais grossa. 

Em fevereiro dobramos de tamanho em poucas semanas e logo depois veio a pandemia. Eu nunca tinha vivido algo parecido. A gente nunca sabe o que vai acontecer. 

Considerando essa empreitada da Grão, existe algo que você está fazendo agora, mas que poderia já ter feito lá atrás e se concentrado mais? 

Eu acho que mais contas. A gente tinha um plano de lançar a conta como se fosse uma poupança, escalar e depois criar novas funcionalidades. 

Talvez ter investido antes em mais linhas de receitas. Ter uma noção maior. Tivemos um crescimento muito legal. Se não tivesse acontecido dessa forma, a vida estaria um pouco mais difícil. 

Monica, você pode compartilhar alguma visão de longo prazo com a gente? 

Eu acho que a nossa maior visão é com o cliente. Queremos melhorar a vida financeira dele. Acho que devemos nos adaptar ao momento de vida do cliente e ao cenário micro e macroeconômico. 

Nossos clientes estavam conseguindo guardar dinheiro. De repente, o nosso cliente está perdendo o emprego. Como podemos nos adaptar a ele? Acho que temos alguns desafios. Temos algumas oportunidades com a digitalização. 

Alguns dos nossos clientes usavam pouco o nosso aplicativo. Clientes que iam até a lotérica para pagar as contas. A digitalização veio muito rápido com essa pandemia. 

Quem nunca tinha comprado no ambiente online agora está comprando online. Essa é uma grande mudança e oportunidade. Por mais que a gente já tenha desenhado o nosso roadmap, eu acho que precisamos saber mudar. E agora, como nunca, estamos vendo várias mudanças. Principalmente pelo lado dos clientes. 

Até na Grão estão chegando pessoas que são relativamente novas na economia e no mundo digital? 

Sim. Muitos. O nosso maior crescimento é de pessoas que antes iam até a lotérica pagar as contas. Pessoas que emitem o boleto, pagam a conta e mandam o comprovante pra gente. Eu brinco que, em São Paulo, vivemos numa bolha, como se tudo fosse digital, mas algumas pessoas não estão acostumadas a usar os apps. São clientes bancarizados e sub-bancarizados. 

Como as pessoas confiam em depositar o dinheiro na Grão e não na lotérica.

Para ganhar a confiança dos clientes, nós o estimulamos a depositar o menor valor. Eu brinco, às vezes: se você tem 1 real, invista esse 1 real. Depois resgata. Se você confiou, gostou da experiência, você começa. E muitas pessoas fazem isso. Acho que esses últimos meses aceleraram muito mesmo essa bancarização. 

Monica, queremos saber um pouco mais do seu background. Onde você estudou? O que você fez antes de fundar as empresas? 

Eu sou de Ribeirão Preto. Fui pra São Paulo fazer faculdade. Fazer FAAP. Fiz comunicação. Comecei a trabalhar muito cedo. Comecei a fazer estágio no primeiro ano de faculdade. Depois eu fui estudar na ESPM, focado mais em marketing. Terminei a ESPM e fui pra Berkeley fazer também um curso de marketing. Foi um curso atrás do outro. Depois, voltei para o Brasil, trabalhei,  e comecei a fazer cursos executivos. Eu adoro ir pra fora. Então eu fiz cursos executivos na Columbia, em Harvard, e Stanford. Foi muito legal ver a diferença de cada uma. Esse é um pouco da minha formação.  

Como CEO, como você define o seu papel? 

Costumo brincar que a gente faz tudo e não faz nada ao mesmo tempo. Mas o papel é muito estratégico. Sempre tem um desafio quando a empresa é muito nova. Começamos a empresa do zero, zero clientes. 

Começamos a contratar pessoas… Realmente, precisamos passar por todas as áreas. Apesar de ter mais um papel em marketing e de aquisição de clientes, eu ainda navego em tudo, desde o financeiro até a tecnologia.  Agora, com todo mundo de home office, tive a oportunidade de focar mais, sem a dispersão com outras empresas. 

Como é a sua rotina como CEO da Grão nesse momento? 

Minha rotina é de velha. Eu tô me acostumando… Sou uma pessoa muito de hábito. Sempre acordei cedo para treinar. Adoro treinar para maratona. Quando você tem um objetivo, te ajuda a ganhar disciplina. Sempre mantive essa rotina disciplinada. 

O esporte faz parte da minha vida. Sou daquelas que gosta de acordar e dormir cedo. Acordo às 5:30 da madrugada. Leio bastante. 8:30 eu já começo. Iniciamos uma rotina de daily com os líderes. E foi bem acertado. Isso fez com que a gente não perdesse o contato que a gente tinha no escritório. Meu dia, então, é de empreendedor normal. Saio muito pouco. Mas sou muito sociável. Adoro um vinho, sair com as amigas. Mas evito. Principalmente quando preciso treinar. 

Monica, você teve várias experiências. Como você consegue comparar esses estágios nas empresas? O que você consegue comparar entre esses momentos distintos? 

Eu acho que faz parte do crescimento. Quando o negócio começa a crescer, você precisa de mais equipe. Precisa participar num nível mais macro. Mas eu estava com saudade das equipes pequenas, de saber o nome de todo mundo. E, apesar de ser uma equipe pequena, a gente quer ser grande. 

É uma fase muito gratificante. Hoje mesmo temos orgulho do que era a Grão um ano e meio atrás e tenho certeza de que, daqui um ano, tudo estará diferente. É natural querer crescer e esse é o momento que vale. Quando somos pequenos, precisamos tomar cuidado na hora de recrutar pessoas para o time. Mesmo que exista alguma posição estratégica, preciso recrutar e entrevistar. Como líder, precisamos dar muita atenção. Quando a empresa é pequena, você aprende bastante. E quando cresce, cresce com a cultura dos founders.

Qual o DNA de quem trabalha na Grão? São mais economistas ou engenheiros de software? 

Metade da equipe são engenheiros. No início, só tinha os engenheiros. No primeiro happy hour, em 2018, foi bem engraçado. eu não me senti da turma. Tinha umas piadas que eu não entendia. Eu e meu sócio fomos embora mais cedo. E nós éramos praticamente os últimos a ir embora… Hoje a maioria ainda é de engenheiros. Mas a equipe é um pouco mais ampla. 

Você trouxe o assunto de ser mulher e empreendedora no meio das fintechs. É uma coisa quase única. Como você enxerga essa questão? Ainda é um grande desafio? 

Eu quero, na verdade, incentivar mais mulheres, não importa o segmento, se é fintech ou não. Existem muitas oportunidades. Eu nunca achei que não fosse conseguir por ser mulher. Sempre tive sócios que me respeitaram muito, sempre me deram muitas oportunidades. E continuo me relacionando com pessoas que também pensam da mesma forma. É preciso incentivar todas as mulheres a entrar nesse mercado. Acho que existem oportunidades para todas nós. Quando eu cheguei no mundo das fintechs, muitas mulheres me perguntaram como era ser líder num mercado como esse. Eu respondo que vale a pena buscar a nossa oportunidade.

Sobre o Like a Boss

O Like A Boss é apresentado por Alura, Caelum e Vindi. Participe também do grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss no Telegram.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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