7ª Temporada,

André Maciel, investidor do SoftBank. O maior fundo de capital de risco Latam.

outubro 21, 2020

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André Maciel foi sócio e investidor do SoftBank, um dos maiores fundos de venture capital do mundo. O fundo, já investiu em mais de 20 empresas na América Latina, todas elas com liderança em seus setores.

Desde a chegada ao Brasil, a equipe do fundo tem se dedicado a encontrar “empreendedores apaixonados pelo negócios e destinados a mudar seus segmentos”, com o próprio André cita.

O fundo, maior venture capital Latam, já investiu em empresas como Rappi, PetLove, VTEX, Loggi, Creditas, Olist entre outras startups, e tem grande ambições para o país. O fundo ainda tem bilhões para serem investidos.

*Atualmente, André é sócio da Volpe Capital, um fundo de venture capital que investe com foco em empresas de tecnologia na América Latina.

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Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

André, você pode contar um pouquinho sobre a história do SoftBank e como ele veio parar no Brasil?

André: O SoftBank foi criado por um senhor japonês, filho de coreanos, chamado Masayoshi Son. Ele foi criado no Japão e passou por muitas dificuldades por ser filho de coreanos. 

Na época da faculdade, ele foi estudar na Califórnia. Ele era um empreendedor por natureza. Foi bem sucedido na criação de suas duas primeiras empresas e, ao voltar para o Japão, ele seguiu no caminho do empreendedorismo e dos investimentos.

No passado, o SoftBank era mais como um banco de softwares, nada a ver com uma instituição financeira… 

Ele acabou transformando uma empresa que estava fadada a terminar em uma série de investimentos. Ele sempre foi muito focado na parte de venture capital. O SoftBank é o maior acionista do Alibaba. Ele também comprou a quarta maior operadora de celular do Japão e depois acabou comprando a terceira. 

Ele tem um histórico de fazer apostas grandes, mas não necessariamente concentradas, além de sempre acreditar no empreendedor. Também temos grandes participações na Uber e na DiDi. Outra faceta do SoftBank é tomar um ativo que se encontra em dificuldades e controlar os passos dele. 

O grupo vai muito bem. A nossa ação está no “All-Time High”. Os investidores estão reconhecendo o que estamos fazendo. Recentemente, lançamos um fundo de venture capital na América Latina de 5 bilhões de dólares, que é o fundo da categoria na região. Temos mais de 22 companhias hoje e além dessas companhias, investimos em alguns fundos-chave.  

O venture capital pode ser considerado uma bolha? 

Investimos em companhias pertencentes aos fundos que participamos. O ponto principal é que, se você acompanha uma empresa, como a equipe de administração toca o negócio, a hora que a companhia aparece para uma rodada de investimentos, temos muito mais confiança na hora de tomar uma decisão. 

É algo que muda completamente a sua perspectiva numa decisão. Inclusive, durante a crise, várias companhias foram impactadas, mas mesmo assim participamos de rodadas de investimento, porque enxergamos uma retomada clara no negócio, além de entender que a gestão encarou um momento difícil com muita destreza. Nosso interesse é fazer um bom investimento com o nosso próprio capital. Mas se os outros fundos nos permitem aprender melhor sobre um negócio, isso também é muito valioso.

Como funciona o dia a dia de vocês que investem em startups que já possuem uma certa governança?

Geralmente, a nossa participação é por conselho. Temos alguns grupos que suportam essas companhias. Temos um grupo de Headhunters dentro da nossa plataforma que ajudam essas companhias a encontrarem talentos, a acharem administradores que possam atuar no crescimento dessas companhias com algumas funções específicos e também temos um grupo operacional, que ajudam em situações pontuais como, por exemplo, no marketing digital, nós temos especialistas nisso, temos especialistas em e-commerce. 

Essas pessoas estão “InHouse” e elas ajudam as companhias do nosso portfólio a melhorar suas capacidades em várias frentes. 

Eu acho que essa proposta é muito forte para as companhias. O mais importante é que nós não investimos para controlar as companhias, para dizer o que o empreendedor tem que fazer. Nós investimos para suportar o empreendedor ao plano em que estamos alinhados. A nossa proposta é muito centrada no empreendedor. 

Como o empreendedor é a parte principal do investimento, é ele quem deve levar o negócio até o final. 

Quais investimentos vocês já fizeram aqui no Brasil e também na América Latina e o que vocês estão buscando? 

Buscamos companhias que tenham um mercado relevante e empreendedores que consigam juntar uma equipe ao redor de um sonho. Não temos uma limitação de setores específicos. Não olhamos para uma companhia cuja oportunidade de mercado é muito nichada, porque aí não se encaixa com os objetivos do nosso fundo. 

Alguns setores são mais sexy que outros. O setor mais sexy do mundo é o dos softwares. Eles costumam crescer de maneiras incríveis e com pouco investimento em capital, em margens espetaculares. Nenhum outro setor no mundo possui propostas tão incríveis quanto o setor de software. 

Temos feito boas apostas na educação. Uma coisa que o mercado não vê, é que a melhor aposta é nas empresas que você já investiu antes, ou seja, é preciso suportar o empreendedor para que o negócio continue crescendo. Não existe muita discussão quando o cara já provou que tem uma tese incrível. 

Vocês conseguem enxergar algumas características de quem pode trazer bons resultados?

Vai muito do drive, da visão de longo prazo e da capacidade de alinhar as pessoas em um projeto. Se você pegar um cara totalmente fora da curva como o Elon Musk, que, depois de um tempo, lançou uma companhia de foguetes e depois o cara lança uma companhia de carros elétricos… Imagine um pitch desses. Você fica meio desconfiado. O cara acertou todas. Essa capacidade de atrair os melhores talentos e motivá-los em torno de uma ideia é essencial. 

Quais são os próximos passos de vocês aqui no Brasil?

Temos muito dinheiro. Temos quase 3 bilhões para investir. Temos um processo muito mais organizado. No ano passado, nós também éramos uma startup criando time, contratando… Precisamos tomar cuidado para que esse processo mais organizado não vire uma burocracia. Ainda podemos aprender bastante com as nossas companhias, com o nosso portfólio que está aí no mercado. Precisamos reconhecer as nossas deficiências e descobrir como podemos melhorar. Sinto que temos muita sorte. 

Eu fico muito feliz com os nossos investimentos. Geralmente, um fundo de venture é um negócio que exige paciência. É muito difícil ter bons retornos logo no primeiro ano. As companhias levam de 3 a 4 anos para maturar, apesar de muita gente achar que as ventures são companhias rápidas. Quem quiser investir em venture, mas sem paciência, vai perder dinheiro. 

Os nossos resultados estão acima das nossas expectativas, considerando a fase do fundo. Pegamos muitos e-commerces, pegamos companhias muito boas como a VTEX, a MadeiraMadeira e a PetLove. Escolhemos companhias que souberam aproveitar muito bem essa tendência de digitalização.

Hoje não temos nenhuma história de fracasso. Todo o nosso portfólio está performando muito bem. Precisamos continuar investindo e fortalecendo nossa equipe de empreendedores, com quem temos realizado parcerias, além de apoiar as companhias que estão em nosso portfólio. 

André, o que você fazia antes do SoftBank. Qual o seu background?

Eu estudei Administração de empresas na FGV e me formei em 2003, na época da eleição do Lula. Entrei na indústria financeira que, naquela época, vivia um inverno nuclear. Não havia nada em pé naquela época. 

Era um momento complicado para começar a carreira. Trabalhei em um fundo que investiu muito em tecnologia, lá eu comecei como estagiário e tirei uma lição muito importante dessa experiência… A lição foi a de que, nesse negócio, é preciso ter muita paciência e fazer as apostas pensando no longo prazo. Depois eu passei muito tempo morando fora, tive uma carreira no mundo dos investimentos, cobri o setor de tecnologia e o setor financeiro, o que me trouxe um belo conhecimento dos mercados lá fora e na América Latina. 

Voltei para o Brasil com o JP Morgan, fui o responsável pela execução do banco de investimentos, mas também fui responsável pelo setor de tecnologia, que sempre foi um setor pequeno dentro dos bancos de investimentos, porque a gente não tinha um mercado de tecnologia muito grande. 

Comecei a ver uma série de empresas que estavam levantando capital e tinham uma proposta interessante. Daí eu fiz a coisa mais legal da minha vida, que foi deixar uma carreira muito sólida. 

Ninguém no JP Morgan acreditava que eu tinha pedido demissão para começar a minha própria empresa e eu falei: “se a gente não tentar, não dá certo”. E até hoje, mesmo se as coisas tivessem dado errado, eu acho que teria sido melhor. Eu acho que a gente acaba não percebendo o tamanho das oportunidades que existem aqui no Brasil. 

Foi muito legal. Eu comecei um fundo, e aí a gente foi levar dinheiro na SoftBank nessa estratégia dos fundos que eu estava fazendo e depois disso a SoftBank nos convidou para liderar a América Latina. 

Acho que eu fiz a venda mais rápida de todos os empreendedores, mas eu acho que o melhor caminho é você manter a cabeça aberta para o empreendedorismo. Por isso que, às vezes, eu encorajo todo mundo que está no mercado financeiro, que está no mercado de consultoria, que possui experiências relevantes, a pensar no empreendedorismo como uma alternativa. E eu penso que o medo de errar e o medo de perder são maiores que o risco que eles representam na realidade. 

Se você puder ser o COO ou CFO de uma startup e der tudo errado, a experiência que você terá acumulado será tão relevante, que você se torna o melhor candidato para a próxima startup. E existe muita gente precisando. Esse é, com certeza, um risco que faz muito sentido. 

Essa cultura do Vale do Silício é muito interessante. Existem até profissionais específicos para cada estágio da empresa. Tem um cara que é bom num RH com 10 pessoas, depois o mesmo cara já não é tão bom com 100 pessoas. Essa mobilidade ajuda muito o nosso ecossistema. E nós estamos chegando lá. Quem se aventura nesse negócio acaba ganhando muito dinheiro e se aventurando numa experiência muito legal. 

André, qual a sua principal atribuição no SoftBank. E, além disso, quantas pessoas trabalham com você e quais suas tarefas no dia a dia?

Temos 23 pessoas no grupo de investimento. Mais de 50 pessoas no grupo da América Latina como um todo. 3 sócios. Discutimos as oportunidades com todos os investidores. Geralmente, esse processo é feito em 3 rodadas. Sendo aprovadas, as ideias vão para a documentação, fazemos uma diligência detalhada depois da aprovação da transação. Fechamos uma transação com a Petlove no pico da crise e para nós não havia nenhuma dúvida. 

Como você enxerga o Brasil em relação à tecnologia? Você acha que o nosso ecossistema já está pronto?

Eu acho que nós, brasileiros, depreciamos um pouco o nosso país, mas, se a gente somar tudo, vemos que existem várias empresas que estão transformam seus setores: PagSeguro, Stone, Magalu, B2W, o Mercado Livre, o Nubank e o Banco Inter… 

Se você somar tudo isso, você tem milhões de dólares fácil. É muito. É uma indústria grande. Se você for olhar esse mesmo ecossistema na Alemanha, não tenho certeza se chega nesse mesmo valor… Temos uma oportunidade enorme de participar desse  crescimento e ser a fonte de capital necessário para essas indústrias, tendo conhecimento do mercado local, que é a estratégia que estamos tentando montar. Aqui no Brasil nós temos um mercado interno muito forte. Apesar de qualquer coisa, estou muito animado. 

Acho que temos um processo muito positivo acontecendo e uma transformação muito rápida. É claro que existem os riscos macroeconômicos relevantes. Mas se a gente mata o nosso mercado, voltamos todos para a estaca zero. Acredito que são os empreendedores que vão levar o Brasil para o caminho do desenvolvimento. 

Essas companhias de health care, por exemplo, elas diminuem tanto os custos e aumentam tanto a qualidade dos serviços para o usuário, que, hoje em dia, você pode ter um médico disponível no seu celular, ao invés de precisar pegar um monte de ônibus para chegar num hospital. Você também pode ter um sistema de ensino disponível no seu celular.  

Acho que nós temos um caminho muito legal pela frente. 

Qual o DNA do founder perfeito? 

Os founders possuem características muito diferentes. Acho que não existe uma receita única. Acho que você pode chegar em caminhos parecidos a partir de características distintas. Talvez uma característica comum seja essa resiliência muito forte de se manter no caminho. Até porque não existe caminho reto. O founder precisa ser um apaixonado pelo negócio, totalmente focado, dedicado em levar o negócio para frente. 

O founder é o cara que dorme e acorda pensando no negócio, que coloca o negócio na frente da família, o founder é um herói, é a pessoa que se mantém totalmente engajado.  É algo que vai muito além do dinheiro. Os founders estão muito mais focados em construir um negócio incrível. Minha última mensagem, para todo mundo que está escalando o Everest, é: vai faltar ar, vai rolar um medo de não chegar, mas, acima de tudo, é muito importante tentar manter a saúde mental e a proximidade com a família. A coisa mais frustrante de escalar o Everest é chegar no topo e não ter ninguém ao seu lado para contar como foi.

Sobre o Like a Boss

O Like A Boss é apresentado por Alura, Caelum e Vindi. Participe também do grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss no Telegram.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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