1ª Temporada,
36 MINS

Bedy Yang, sócia da 500 Startups. A maior investidora de startups do país.

novembro 22, 2017

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Bedy Yang é uma das mulheres mais admiradas (e ativas) no movimento de startups no país.

Antes de virar investidora, foi dona de uma loja que vendia produtos artesanais brasileiros, em São Francisco (USA).

“O SUCESSO MUITAS VEZES ACONTECE, PORQUE AS PESSOAS REALMENTE ACREDITAM QUE O SUCESSO VAI ACONTECER” – Bedy Yang.

Filha de chineses e brasileiros, a paranaense fez da sua própria história, uma ponte para conectar empreendedores brazucas com investidores americanos. Bedy investiu em empresas como VivaReal, ContaAzul, Descomplica, Ingresse, IDwall e outras dezenas mais, através da 500 Startups, uma das maiores aceleradoras do mundo.

Fundou em 2009, o evento BRNewTech e a rede +Innovators, que conecta startups promissoras aos maiores investidores do Vale do Silício. À frente da 500 Startups, Bedy comanda os investimentos do fundo no Brasil e na América Latina. E isso já ultrapassa centenas de startups.

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Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Bedy, você pode falar para gente o que é venture capital e o que faz uma empresa como a 500 Startups?

Venture Capital é um capital de risco. Então, basicamente, seja individualmente como investidor-anjo ou institucional como fundo de investimento, é quando você entra sem saber se pode ter retorno.

Eu tenho uma curiosidade. Como que se forma um investidor? Você lembra, ou consegue contar com um pouco de detalhe, qual foi o seu primeiro investimento e como foi?

Para falarmos um pouquinho mais de capital de risco, de venture capital, é importante entender que estágio de investimento os investidores têm interesse. 

Seja capital-semente, que está no começo, algumas vezes na ideia, quando o empreendedor tem um produto. Ou em estágios posteriores.

Quando você pensa em capital de risco, tem o capital semente, que é seed capital, e depois começa série A, série B, série C – até a saída da empresa, que pode ser em mercados públicos ou uma saída de venda para uma outra empresa.

Então, a cadeia de investimento funciona acompanhando, muitas vezes, a cadeia de desenvolvimento da empresa e das startups. 

E as startups têm um crescimento, muitas vezes, extremamente acelerado. Você pode ter um grupo de empreendedores que, em pouquíssimos meses, de 4 a 6 meses, criam um produto, um protótipo. E em um ano, fazer a distribuição e ter uma escala muito acelerada e rápida dentro disso.

Enquanto investidor, a gente quer capturar antes do crescimento, antes que o valor de mercado seja totalmente evidente para os outros. Portanto, como investidor, é importante, em primeiro lugar, entender em que estágio de investimento você está interessado, qual o risco. 

Do ponto de vista de investimento, tudo é risco. Risco da equipe fundadora não dar certo, não ter a capacidade de execução.

Risco de produto, de não ter usabilidade ou resultados que previam. E risco de mercado, pode ser questão regulatória, competidores entrando sem você esperar.

O investidor precisa entender que tem muitos riscos. A Bedy enquanto investidora faz investimento em capital semente, em que quase todos os componentes são riscos.

Eu olho mundo quem é o time, que é quem eu tô investindo antes de mais nada.

O primeiro investimento que eu fiz, com a 500 Startups, foi com a Viva Real. Ela é uma empresa que começou na Colômbia com três empreendedores: um americano, um alemão e um brasileiro.

Foi logo que eles entraram no Brasil. E aqui, o que lá fora é considerado um capital semente é considerado como uma série A aqui. Entramos em uma rodada bem razoável, e foi quando eles começaram a montar a operação no Brasil.

Você entrou em um case, que virou um case não só de empreendedorismo mas também de fan case. Começou desde o zero sendo muito bem feito, nos momentos certos da empresa.

Hoje eu sou managing partner no fundo de investimento, mas antes disso eu entrei na 500 Startups por volta de 2011.

Em 2010 eu criei a Brazil Innovators. Ela é a base para encontrar os empreendedores. Eu fazia muito a conexão dos empreendedores no Brasil com o Vale do Silício. 

E nessa de ajudar os empreendedores, o Brian Requarth, que é CEO do Viva Real, me procurou, falando que queria fazer uma rodada de investimento nos EUA.

Eles já tinham alguns anjos, já tinha alguns investidores que tinham juntado antes, e agora estavam preparados para uma rodada um pouco maior.

Nos EUA, comecei a fazer muitas apresentações para fundos distintos. E, em uma dessas apresentações, era a 500 Startups. Foi ali o começo da razão da minha entrada na carreira de investimento.

Eles fizeram a rodada e acabaram fazendo uma rodada no tamanho de série A, aqui no Brasil. Depois fizeram em um estágio para não diluir muito no ponto de vista de empreendedor.

Muitas vezes, o que acontece é que o empreendedor quer muito o capital do investidor, mas acaba perdendo a quantidade de participações.

As rodadas de investimento são importantes porque, se forem bem feitas, você consegue manter os empreendedores originais motivados, consegue garantir que os principais funcionários também tenham participação no sucesso da empresa.

Bedy, você falou que um dos principais pontos que vocês olham é o time de fundadores. O que você, pessoalmente, olha em um time de fundadores, para saber o que você procura, como eles reagem, como trabalham? O que você olha para saber se, independente do produto, o empreendedor vale o risco?

É difícil a pergunta. Pensa assim: você tem o lado de startup, de investimento. Muitas vezes você está recrutando alguém para entrar na sua empresa. E você pode fazer uma lista de critérios – essa lista é muito fácil de montar.

A gente olha a questão da resiliência, a visão, e o que é um pouco mais difícil é a equipe que consegue montar um produto. O que tentamos medir, do ponto de vista do produto, é o ponto onde eles começaram e onde estão hoje, a curva de aceleração. O que conseguimos montar no tempo de conversa.

Do ponto de vista mais técnico, é o que foi criado de produto e a capacidade do empreendedor de entender canais de distribuição.

Eu diria que a resiliência e a visão são importantes do ponto de vista individual. E, no ponto de vista mais técnico, é o produto e a distribuição.

Vocês olham um pouco dos hábitos, da vida do empreendedor no dia a dia?

A gente não olha, provavelmente é interessante ver a correlação. Eu acho que muito empreendedor é obcecado e isso pode refletir de algumas formas. 

Ele é obcecado pelo negócio, por algum problema… e essa obsessão pode, ou não, refletir como ela leva o equilíbrio da vida.

Normalmente é difícil o empreendedor equilibrar todos os pontos: vida pessoal, família, lado espiritual. Mas acho importante, isso é o que traz a resiliência. Isso é uma maratona e estar preparado para isso é importante. Mas, na prática, a gente vê que grande parte se dedica principalmente ao negócio e tem menos tempo para achar equilíbrio.

Esses componentes são importantes por serem o lado humano do empreendedor e é importante achar um formato para que as pessoas possam desenvolver o lado que não é profissional.

Como você enxerga o mercado brasileiro? O pessoal está muito interessado em investir no Brasil? Você recebe muitas propostas?

No ponto de vista de investimento, uma das perguntas mais importantes é como será seu fluxo de negócios que chega para você.

O mercado brasileiro é o último mercado inexplorado. Isso significa que, globalmente, o mercado brasileiro é um dos maiores que tem usuários online. O e-commerce é relevante.

Quando você compara isso com a quantidade de capital que entra aqui, lá fora é muito maior do que no Brasil. Na prática, o Brasil tem, relativamente, poucos investidores interessados pelo tamanho da oportunidade de mercado.

Acredito que poderia ter muito mais. Mas isso naturalmente vai mudar, é uma questão de tempo.

Hoje, o Brasil ainda é o último mercado ainda não explorado quando você compara com as oportunidades que a gente tem online aqui.

É muito difícil vender o Brasil lá fora, vivemos um contexto geopolítico bem complicado, tanto internacionalmente como no Brasil.

Entre o Brasil, para os brasileiros, o interesse é crescente de pessoas que não tinham interesse no mundo digital, que estão começando a transferir o capital tradicional para o capital venture.

Mudar a mentalidade é muito difícil, porque você tem que saber que está entrando em um investimento sabendo que pode perder tudo.

A 500 Startups é um fundo de investimento com sede no Vale do Silício. Os empreendedores recebem capital nosso. Investimos cerca de R$500.000,00.

Os empreendedores vão para o Vale, ficam quatro meses. Tem acesso a mentoria, metodologia e depois voltam para terminar de montar o negócio.

O mais estruturado que chegamos é aquele que chega para a aceleradora. Lá a gente abre o processo de seleção, escolhe as empresas, fecha o processo e faz o investimento. Nesse contexto recebemos em média, normalmente, 2.500 empresas a cada quatro meses. Fazemos oferta entre 30 e 50 empreendedores. O Brasil, especificamente, chega de uma forma menos estruturada.

Você tem muitos cases de sucesso com investidor, tem volume de investimento sendo feito. Existe um software para isso ou é pelo feeling?

A gente tem uma tese de investimento bem específica: para a gente é importante olhar o conjunto das empresas. Se eu investir em 10 empresas, 1 vai ter sucesso; se eu investir em 20 empresas, 2 vão dar certo. Então eu seleciono algumas empresas que a gente vai ter certeza que algumas vão ser líderes de mercado.

Eu recomendo montar um portfólio, porque lá você pode montar uma série de hipóteses do que pode dar certo. Mas você não está montando a empresa, você não tem controle e muitas coisas acontecem no meio do caminho.

E a gente não tem medo de errar. Isso muda para a gente e para o empreendedor. Porque, uma vez que alguém acredita, é muito mais fácil de outros acreditarem. O sucesso muitas vezes acontece porque as pessoas acreditam que o sucesso vai acontecer.

Você pode falar o que fazia antes da Innovators, antes da 500 Startups? Com o que você trabalhou, o que estudou? Quem é você?

Eu me vejo quase como uma tradutora. Meus sócios brincam que é como se eu fosse até o futuro, vejo o que acontece. Volto para o presente, viro a chave e falo o que acontece.

Tradução quer dizer eu falo a língua do Vale do Silício e traduzo essa língua deles para os empreendedores globais e para os brasileiros. Eu vejo meu papel como catalisar e abrir a chave onde há recursos e concentração de recursos, onde eu consigo ver isso.

Isso me acompanha a vida inteira. Meus pais são imigrantes, de Taiwan. Primeiro foram para o Paraguai, depois vieram para São Paulo e depois eu fui para os EUA. Em quase todos os momentos da minha vida eu tive que me encaixar, entender os recursos e traduzir, primeiro pra mim, e hoje para os empreendedores.

Eu acredito que a coisa mais importante dentro dessa tradução é a distribuição. Se eu tiver que focar em uma única coisa, nessa tradução, o ponto mais importante é encontrar alguém para investir, se dedicar e comprar esse produto.

Antes eu tinha uma loja física, que também é acesso de mercado. Trabalhei em consultoria para grandes marcas. 

A 500 Startups, hoje é uma plataforma que eu vejo que faz muito sentido para a minha visão. A gente consegue, através do investimento, ajudar o maior número de empreendedores através do acesso ao Vale.

Estudei Administração na Fundação Getúlio Vargas. Não sei o quanto isso me preparou, mas eu acredito que eu tenho uma capacidade e uma intuição muito forte sobre números e negócios.

Como é seu dia a dia? Como você controla sua agenda? Como prioriza as tarefas?

Eu toco duas coisas: investimentos na América Latina e olho nossa expansão para novos mercados; e eu toco novos negócios.

Somos uma plataforma em que as empresas podem olhar como uma forma de inovação. Então eu preciso achar formas de plugar os principais agentes, universidades, fundações, que queriam entrar na rede, e de maneira estruturada.

Dentro desse contexto, tanto de investimento como de estrutura, o mais importante é montar uma equipe que consiga me ajudar a escalar. A coisa mais escassa é o tempo, e ele só pode ser replicado através de outras pessoas. É contratar, treinar e delegar.

Fundamentalmente é isso. Tudo que minha equipe pede pra mim é prioridade absoluta. Quanto mais preparada minha equipe tiver, melhor e mais fácil vai ser para eu responder qualquer outra coisa.

Passo bastante tempo com os empreendedores, pelo menos uma vez por semana e de maneira estruturada. No final, a razão da 500 Startups existir é para servir o empreendedor. Pode ser super legal e glamuroso ser investidor, mas somos prestadores de serviço para o empreendedor ter sucesso.

Eu fico sempre tentando buscar abrir novas redes, o que vai expandir. E quando eu noto que tem uma capacidade de novas redes, eu acho que é uma forma legal de alavancar para ver novas coisas.

Quem são os unicórnios da 500 Startups? O que é unicórnio?

Unicórnios, basicamente, são empresas que valem mais de um bilhão de dólares no valor de mercado, nos EUA. Internamente, para nós, o valor absoluto é menos importante que o múltiplo. Então, se eu entrei em uma empresa com 500 milhões, e ela vale 1 bilhão, é só duas vezes o meu retorno. Mas para mim é mais importante retornar, 50 ou 100 vezes o meu retorno. A gente classifica um unicórnio quando a gente retorna mais de 50 vezes dentro da nossa tese.

Temos três empresas que estão publicamente com esse valor, maior que 1 bilhão. A Twilio, que vale por volta de 3 bilhões de dólares. A Credit Karma, no serviço financeiro. E a terceira está no sudeste asiático, que é o equivalente ao Uber, ao 99, que tem presença forte no mercado da Ásia.

Sobre o Like a Boss

O Like A Boss é apresentado por Alura, Caelum e Vindi. Participe também do grupo exclusivo ouvintes do Like a Boss no Telegram.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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