8ª Temporada,

Fernando Silva, sócio da Crescera. Da Série A ao IPO.

março 24, 2021

Fernando Silva é investidor e sócio da Crescera, gestora anteriormente chamada de Bozano Investimentos.

Matemático e pesquisador formado pela UFRJ, Fernando traçou carreira acadêmica sólida, inclusive com projetos premiados pelo IMPA e Unesco. Virou empreendedor, depois de um projeto que fez para o RIO 2004 e acabou entrando de cabeça no mercado financeiro.

À frente do venture capital da Crescera e como gestor do fundo Criatec2, investiu em empresas como Convenia, Bling, Vindi (adquirida pela Locaweb) Nelogica, Konduto (adquirida pela Boa Vista), EzCommerce (adquirida pela Linx), entre outros cases. Com IPOs, saídas e investimentos bem sucedidos, a Crescera também é muito conhecida por investimentos em private equity, especialmente em educação e saúde.

Cases como Afya (IPO), Passei Direto (adquirida pela UOL Edtech), Estapar, Hortifruti e Alura, fazem da gestora, uma das mais ativas e bem sucedidas no país. Tanto em rodadas Séries A quanto em IPOs.

A Crescera Capital tem cerca de R$5 bilhões sob gestão.

* Curiosidade: os estudos matemáticos do Fernando, quase o levaram para Hollywood, onde ele recebeu um convite para coordenar os efeitos visuais do filme Beowulf em 2005. Veja o convite oficial da Sony aqui.

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Transcrição do episódio

Este episódio foi transcrito e editado com apoio da Conta Simples, conta digital PJ e melhor plataforma brasileira focada em cartões corporativos.

Fernando, você pode nos contar o que é a Crescera? É um fundo de venture capital, é um fundo de private equity? Como começa essa história e porque vocês existem?

Fernando: A Crescera Capital nasceu em 2008, quando o Paulo Guedes fundou a BR Investimentos, que foi uma uma investidora de poverty equity focada em educação. Dentro da sala de reuniões da BR Investimentos, nasceram coisas como a Abril Educação, o que a tornou a maior empresa de educação do Brasil. A BR Educação vem crescendo desde 2018 e, em 2013, com o Júlio Bozano, um dos grandes empreendedores tradicionais do Brasil, com uma história de empreendedorismo de investimento e criação de empresas gigantes.

O Júlio vendeu o banco Bozano para o Santander por volta dos anos 2000, como bom empreendedor, lá no alto dos seus 80 e poucos anos, decidiu empreender novamente e voltar ao mercado. Ao invés de começar do zero, Júlio analisou algumas gestoras bem posicionadas no mercado e viu a BR Investimentos, que estava bem de acordo com o que ele almejava, criou um guarda-chuva e juntou a BR Investimentos do Paulo Guedes a mais duas gestoras. Sendo uma gestora de fundos líquidos e outra gestora de quant, que são robôs de investimentos, que hoje estão bem na moda, mas na época era uma novidade. Antes, era uma investidora chamada Trapézio, especializada em fundos quantitativos, onde as decisões de investimentos eram tomadas por meio de algoritmos.

Esse negócio veio em 2013, quando nasceu a Bozano Investimentos e, até 2018, caminhamos por meio desse “polvo” (fundos líquidos, quânticos, poverty e equity venture capital). Minha chegada na fundação da Bozano Investimentos foi para tocar a área de venture capital que nasceu junto com a fundação da Bozano Investimentos. Junto dessa fundação nasceram dois fundos, um fundo de tecnologia educacional, que é um fundo pequeno com 65 milhões em investimentos, e outro, que é um fundo mais generalista, o Criatec, que conta com um capital mais institucional (BNDES e afins), porém, é um fundo mais generalista com investimentos em tecnologia e inovação. Esse “polvo” ocorreu até 2018, quando Paulo Guedes foi nomeado ministro da economia no governo Bolsonaro e se desligou da gestora por determinações legais do cargo que impedem que um ministro tenha participações em grupos de investimento.

Após o desligamento, em dezembro de 2018, tomamos a iniciativa de fazer um rebranding e trazer outro sócio financeiro, o Elie Horn, que é fundador e dono da Cyrela. Ele se juntou ao capital social da gestora e participou deste rebranding com um nome mais agnóstico: Crescera Capital. A partir de então, vendemos a nossa área de fundos líquidos nos fundos quant e decidimos focar no que a gente sabe fazer melhor, não que tenhamos feito outras coisas mal, mas vendemos a nossa especialidade. Temos cases como o Forno de Minas, Abril Educação e, recentemente, a Afya, que é um case que fizemos em um investimento full, ou seja, uma tese de consolidação de ativos dentro de um fundo desse mesmo ativo. Gerando este que chamamos de Afya. Fizemos o IPO na Nasdaq em 2019 com sucesso, sendo hoje a maior empresa de educação brasileira, integrando tecnologia a uma educação voltada para a área de saúde e ensino em escolas de medicina, que é um setor quente. E traz um ótimo retorno de capital para os cotistas desse fundo, na ordem de várias vezes o capital investido, de R$ 800 milhões, para poder fazer 5 ou 6 vezes o capital investido nesse fundo, o que o torna um dos melhores retornos do private equity aqui no Brasil.

Qual foi a primeira empresa ou startup de tecnologia que vocês investiram aqui no Brasil?

Fernando da Crescera: Aqui no venture capital da Crescera, temos um negócio muito único no mercado brasileiro, eu chamo de private equity approach to venture capital. Desde cedo, nos investimentos de venture capital que fizemos, em especial no fundo Criatec, buscamos empresas com o perfil mais ligado à size, pois entendemos que empresas com essa característica, com um desenvolvimento um pouco mais previsível, tem uma pulverização de riscos melhor, a Vindi, por exemplo, é uma empresa que investimos e usamos isso muito à risca. Na nossa análise do ativo, vimos que era uma empresa que estava em um setor interessante.

A fintech, meios de pagamento e recorrência, tinha uma base de clientes muito pulverizada, o que gera muito valor. Ela tinha ali uma possibilidade para se usar o private equity approach to venture capital, ajudamos a empresa através de M&As a dar saltos quânticos de crescimento, foi isso que fizemos, por exemplo, com a Vindi, auxiliamos a empresa, junto com o management e os founders, a adquirir 3 empresas em meio a esse processo ao longo de 3 ou 4 anos. Em síntese, fizemos a empresa dar saltos até concluir a venda que foi anunciada juntamente com a Locaweb. A Vindi foi o que me inspirou no conceito da cabra da montanha, vou contar um pouco dessa história. Estávamos fazendo uma parceria com a FIESP, que tinha um programa chamado Acelera Startup, no qual queríamos trazer empreendedores fazendo um funil para investir em startups.

Nessa época, o fundo Criatec estava em um período de investimentos. Com o auditório da FIESP lotado de empreendedores, preparei uma palestra inaugural na qual apresentei o contexto do programa. Na hora de preparar essa palestra, busquei fugir do termo unicórnio que, para mim, é um enlatado dos Estados Unidos. Deve haver outra forma de representar outras classes de empreendedores. Antes da palestra, eu estava zapeando e parei no National Geographic, quando me deparei com uma cabra escalando um paredão vertical na montanha. Eu pensei: “que bicho maluco é esse?”. Fiquei bem impressionado, pois era um paredão vertical, e a cabra não tinha nenhum equipamento de segurança. Pesquisando um pouco mais, percebi que se tratava de uma espécie de cabra chamada mountain rock goat,  que efetivamente tem a habilidade de escalar paredões.

Na hora, me caiu a ficha de que essa é a cara do empreendedor. Essa espécie de animal representa muito bem o empreendedor de startups, mirando se tornar um unicórnio. Antes de se tornar um unicórnio, ele é um bicho diferente, e quem é esse bicho? Para desenvolver uma startup e crescer o negócio, há uma montanha por dia a escalar, com todos os desafios pertinentes a ele, tais como: validar o modelo de negócio, fazer o scale up, enfrentar a concorrência. Eu montei em um país como o Brasil, onde há, além das dificuldades naturais em fazer um negócio emergente crescer, fatores exógenos que você não controla, tais como economia e política que, aqui no Brasil, é uma montanha-russa ou uma cordilheira de montanhas que precisa escalar.

Com esse termo que eu lancei na palestra da FIESP, as pessoas olhavam, e percebi que nelas também caía a mesma ficha. As pessoas se identificavam com esse bicho. Por isso, eu brinco e falo que o cara é a cabra da montanha e que, quando ele atinge seu topo, ele se transforma em unicórnio. Se tem um negócio que para mim é um mantra no venture capital, é o people business, não adianta botar dinheiro em uma ideia sensacional, mas com uma execução ruim. Assim, prefiro botar dinheiro em uma ideia que possa não parecer espetacular, mas que tenha uma ótima execução. Então, eu digo que um empreendedor bom é capaz de transformar uma carrocinha de cachorro-quente em uma superfranquia mundial no ramo alimentício.

Como que o Deal Flow é trabalhado e como lidam com o contato inicial de um empreendedor em potencial para fechar negócios?

Fernando da Crescera: Nós, da Crescera, tanto no private equity quanto no venture capital, temos os círculos de competência que são nada mais que os setores onde as pessoas possuem um profundo conhecimento sobre determinado assunto, e essa é a vantagem que temos na abordagem com diversos tipos de empreendedores. Hoje, não falta dinheiro para bons projetos, se você tem um projeto bacana, não deveria ter dificuldades para captar recursos. O mercado está muito líquido, e estamos no que eu chamo de desabrochar do venture capital no Brasil, pois se faz venture capital há bastante tempo nesse país, e é óbvio que alguns grupos de pessoas tentam reescrever a história como se fosse uma coisa recente.

O unicórnio não é uma coisa recente, pois se você olhar, por exemplo, para a GVT, ela é unicórnio há muito mais tempo do que os unicórnios de hoje. Veja a história da empresa, veja o valuation que ela teve desde quando o israelense veio para o Brasil, fundou, criou e fez o negócio crescer até ser comprada pela Telefônica. Ela foi unicórnio por muito mais tempo, antes mesmo do termo unicórnio começar a ser utilizado no Brasil. Após esse uso de tal termo, as pessoas passaram a esquecer do passado. Dito isso, essa especialização setorial que nós temos faz muita diferença, pois não falta fundo de investimento ou capital para investir e, quando falamos com um empreendedor, o mesmo verá que o nosso representante consegue falar com ele, entende o setor e o que está sendo dito. Outra característica é que um sócio, até mesmo dos mais seniors, tem um perfil empreendedor.

Por exemplo, eu, que nasci empreendedor, fui cientista e pesquisador no IMPA (Instituto de Matemática Pura e Aplicada), estava fazendo meu doutorado por lá, orientado inclusive pelo Jonas, e ele foi chamado para criar um fundo de investimentos, isso entre 1998 e 1999. Naquela época, todo mundo tinha um plano de negócios, ao contrário de mim, que nem tinha um para investir. Falei com ele sobre um plano de negócios que tinha preparado com alguns colegas, e ele me chamou sob a condição de que eu ia trabalhar com ele e não com a empresa. Conversei com meus sócios, que tocaram o negócio, e posteriormente quebrou, faz parte… e eu comecei minha jornada tendo a primeira carteira assinada. Na época, eu nem sabia o que era Opportunity direito, era um lugar onde todos do mercado financeiro queriam trabalhar. Depois, eu fui conhecer todas as histórias, incluindo a do Daniel Dantas, que trabalhava mais ligado ao Dório Ferman.

Depois, eu fui empreender, comecei a fazer trabalhos de turn around em empresas não só do Opportunity, atuei na Rio Bravo, que me chamou para fazer trabalhos parecidos em empresas de tecnologia, pois estavam precisando fazer um ajuste. Nesse meio do caminho, eu quebrei e vendi empresas que eu fundei, até vir trabalhar aqui na Bozano Investimentos. O fato de alguns de nós, da Crescera, termos essa pegada empreendedora dá um lead nas conversas com os founders, em que eles se identificam com a gente, ou seja, temos uma atuação aqui dentro da Crescera muito ativa nas investidas.

Nós gostamos de participar e ajudar discutindo estratégias e não apenas o básico de board city, estamos diariamente conversando com os founders, os empreendedores e os managers, auxiliando em todas as dimensões possíveis de people, comercial e estratégias. Isso faz muita diferença, e temos conseguido boas ideias com excelentes empreendedores que veem na gente um valor além do dinheiro. Eu acho que, tanto no caso da Vindi quanto no caso da Alura, vocês conseguiriam investimentos de qualquer fundo que, aliás, vários desses bateram na porta de vocês na mesma época em que estávamos investindo, conversando com vocês, e escolheram a gente. Eu tenho certeza que não foi só pelo dinheiro, isso nós gostamos muito e é um pouco do nosso trade marketing.

Relacionado a essa proximidade com os fundadores, quando você se senta para conversar com eles fora do business, vocês analisam o que nessas conversas?

Fernando: Isso tem a ver com a questão de ser um people business. Quando você faz um investimento e para para ver, passa mais tempo conversando com os founders do que com pessoas da sua família como a esposa ou o marido. O investidor que é realmente ativo tem um nível de dedicação, de conversa e de interação com os founders que é necessário que haja uma química, pois ela é fundamental.

Não adianta investir em uma empresa que você tem uma boa entrega e há certa dificuldade de se comunicar com o founder por ele ser um cara de difícil trato, a chance de dar algum problema é muito grande. Vou dar um exemplo que ocorreu no Criatec, que é um fundo que contém um comitê de investimento, onde para todas as empresas em determinado momento é apresentado um comitê com os cotistas. Lá, teve uma empresa que fomos evoluindo com ela, chegou até a reta final onde teve que ser apresentada no comitê de investimentos. E no meio da apresentação com todos os cotistas, um deles fez uma pergunta sobre o negócio, os dois founders começaram a brigar entre si quase chegando às vias de fato na frente do comitê de investimento.

Eu falei por Whatsapp para o time assim WHAT A FUCK IS GOING ON? Acabou a apresentação e, depois de eu pedir para eles saírem, pediram desculpas e obviamente essa empresa não foi objeto de deliberação. Não vale a pena investir porque, se os caras não conseguem se controlar naquele momento tão importante, imagina no dia a dia, são caras que vão ser difíceis e vão brigar com a gente. No início do namoro, é claro que o cara vai se mostrar o mais legal e interessante do mundo. Aqui na Crescera, já fizemos mais de 40 investimentos, então já analisamos mais de 6 mil empresas ao longo desses anos, isso já dá uma casca para você entender e fazer leitura de people.

Leitura de gente é você olhar todas as dimensões daquela pessoa. Não somente a técnica, mas com ela, as diversas dimensões emocionais que compõem o caráter daquela pessoa. Nós olhamos muito a dimensão de pessoas fatiadas em todas essas microfacetas que eu te falei, que ocorre tecnicamente pelo fato de termos aqui pessoas especializadas em determinadas áreas. Naturalmente, nós testamos os empreendedores, para entender se é realmente bom mesmo, mas em outras habilidades, além dessas técnicas, há as características emocionais. Fazemos uma diligência de pessoas.

Nesse segundo round, queremos conhecer um pouco mais de você, como você trabalha e como é o seu background.

Fernando da Crescera: Meu bacharelado é em matemática, formado pela UFRJ, e a matemática é uma cadeira bem difícil. Para se ter uma ideia, em minha turma entraram 80, e só eu e mais 2 pessoas conseguimos nos formar dentro do período normal. A beleza do curso de matemática é que, para você conseguir concluir o bacharelado, você vai avançando ao longo do tempo onde tem disciplinas que são tão abstratas que você desbloqueia algumas áreas do seu cérebro e é muito curioso. Se você não conseguir destravar certas capacidades de abstração, você não consegue terminar o curso. Eu acho que isso desenvolve uma capacidade analítica sensacional, eu sou muito grato por ter conseguido fazer matemática ao invés de informática.

Quando eu fiz matemática, eu sempre tive vontade de seguir a carreira em tecnologia porque eu sou apaixonado e consumo ela a torto e direita. Quem viu palestras minhas lá atrás, eu costumava adotar gente que fazia device no Kickstarter. Eu fiz uma palestra, uma vez, onde eu usei um sensor que eu encaixava aqui no pulso e controlava com impulsos elétricos o Power Point, foi muito divertido. Eu continuei minha formação de bacharelado em matemática, mais direcionada em tecnologia, fiz meu mestrado e doutorado, cujo tema era computação gráfica.

Minha tese de mestrado foi sobre captura de movimento, isso em 1997, onde na época era inovador. Nesse recurso, se coloca sensores no corpo de uma pessoa, esses sensores capturam a informação e a transferem para um personagem de jogo ou avatar. A primeira utilização de captura de movimento em Hollywood foi no filme o Exterminador do Futuro 2, na cena do caminhão que explode e o T-1000 sai andando na forma de metal líquido no meio do fogo. Minha tese foi muito inovadora até lá fora, eu ganhei prêmios da UNESCO, da Sociedade Brasileira de Computação, e o curioso é que eu já havia saído do doutorado e estava no Opportunity. Quatro anos depois de eu ter saído totalmente da área acadêmica, eu recebi o e-mail de uma coordenadora da Sony Imageworks dizendo que eles tinham visto meus papers, pois eu publiquei muitos artigos em revistas científicas lá fora.

O e-mail dizia que eles queriam me convidar para ser coordenador de motion captured de um filme que eles queriam lançar. O filme era a Lenda de Beowulf, o legal é que os atores cujos movimentos seriam captados eram nada mais nada menos que John Malkovich, Angelina Jolie e Anthony Hopkins. Eu não aceitei, porque já estava fora desse mercado há muito tempo, em outra vibe e neguei o convite. Faz parte, são escolhas da vida, né, gente… Essas habilidades que eu adquiri com essa capacidade analítica, direcionei para empreender. Então, quando eu estava ali, finalizando o meu mestrado, aconteceu o que foi para mim a minha primeira experiência empreendedora. Naquela época, saiu uma notinha de rodapé no finado Jornal do Brasil dizendo que o Rio iria se candidatar para as Olimpíadas de 2004, isso foi em 1996, e eu pensei: “que legal, eu vou ajudar, que bacana”.

A web chegou aqui no Brasil em 95, para vocês entenderem a dimensão do que aconteceu, criei uma lista de assinatura de uma página simples na web onde você colocava seu e-mail, apertava e criava uma lista de apoio à candidatura do Rio de Janeiro. Fiz isso dentro de um laboratório da UFRJ, e o negócio começou a ganhar tração e viralizar, até que em um belo dia saiu na coluna da Cora Rónai, colunista do O Globo naquele caderno de informática. O negócio começou a explodir e começou a sair um monte de coisa. Quando em um belo dia recebo uma ligação do reitor enquanto estava no laboratório da UFRJ e eu pensei “fudeu, o cara vai me expulsar da universidade, eu fiz alguma merda”. O que ocorreu foi que a demanda do site estava muito alta e estava hospedado no laboratório com o número de acessos tão grande que estava atrapalhando o link global da universidade. Ele disse que chamaria a IBM para ajudar, a IBM abraçou o projeto depois que o comitê olímpico me convidou para ser coordenador de internet da campanha da cidade.

Chegamos a organizar e fazer eventos na praia de Copacabana com 2 milhões de pessoas, tudo coordenado online. Fiz uma parceria com a ponte Rio-Niterói, na qual instalamos uma câmera robótica controlada via software, onde o visitante poderia apontar para onde ele quisesse nos pontos turísticos do Rio de Janeiro. Isso tudo foi muito bacana e virou um projeto de empreendimento, virei um empreendedor desse negócio e fiz o site oficial, foi uma experiência bem legal. Aprendi esse traquejo de como é empreender desafios, foi uma experiência muito rica. Isso me deu várias habilidades de relação com outras pessoas que até hoje eu uso e são úteis para mim.

E como essa bagagem hoje se transmite na sua rotina com os empreendedores? Há alguma desorganização?

Fernando: Nós temos que ter o mínimo de organização, você não pode deixar a agenda te dominar. Em especial durante a pandemia, de fato o home-office tem várias vantagens, mas literalmente passa a perder a noção do tempo. Ontem, por exemplo, eu comecei às 7 da manhã fazendo entrevistas para um CFO que estamos querendo fazer algumas investidas e, quando fui ver, às 10 horas da noite, tinha comido um sanduíche, não tinha tomado banho e nem feito as necessidades básicas. Às 10 horas da noite, estava fazendo call ainda.

A rotina é muito intensa, mas é muito deliciosa, eu amo o que eu faço! Eu acordo a cada dia maravilhado com as conversas que eu vou ter com os empreendedores, eu gosto de gente, gosto de bons empreendedores e gosto de ajudar os empreendedores que estão tendo dificuldades. Então, o papo é muito fluido porque o empreendedor vê que estamos muito bem intencionados e queremos ajudar. Acho que o bom investidor tem que saber ouvir, não é porque é um bom investidor que é o dono da razão, essa construção é muito importante no relacionamento com pessoas porque o nosso business é um business de pessoas. O investidor que não tem habilidades com gente tende a ser um investidor que a médio ou longo prazo não será escolhido pelos melhores empreendedores.

Qual foi o maior desafio que você ou o fundo já passou em relação a decisão ou grandes mudanças, incluindo a saída de alguns sócios que tomaram rumo no campo da política?

Fernando: Os sócios que saíram, saíram bem, nós não enganamos sócios, pois compramos a participação de todos eles. Ninguém precisa ser inimigo quando sai de uma sociedade. Então, a Crescera pivotou algumas vezes, assim como boas empresas e startups pivotam, esses foram alguns desafios interessantes. Agora, no microcosmo da gestão da nossa participação nas startups, nós sempre temos desafios muito grandes, como, por exemplo, a forma como ajudamos a Vindi a recompor e ajustar o captable dela, que é um CapTable muito pulverizado, e como nós ajudamos a Vindi a fazer a compra de concorrentes.

Ajudamos a resolver problemas societários de algumas empresas que estavam enfrentando brigas entre os sócios. Problemas societários, eu costumo dizer que conseguem destruir maus e bons negócios. Quando se tem uma briga societária, há uma destruição de valores e o perde-perde é para todo mundo. Foram muitos os desafios que aconteceram no meio do caminho, são uns desafios constantes, não especificamente um ou outro que é maior ou menor porque todos os desafios tem suas dificuldades. Por isso, é importante o investidor ser construtivo na elaboração da solução, porque se você é mais um brigando, você está na verdade adicionando problema e não adicionando solução.

Produção e conteúdo:

Edição e sonorização: Radiofobia Podcast e Multimídia

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Rodrigo Dantas é CEO da Vindi plataforma de pagamentos online. É o responsável por levar o Paulo para o lado business-startupeiro da força. O cara de pagamentos recorrentes no Brasil.

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